Começam esforços da ONU para reconstruir o Afeganistão

A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza, desde ontem em Islamabad, uma reunião para debater estratégias para a reconstrução do Afeganistão. O encontro ocorre paralelamente à reunião política em Bonn, na Alemanha, que tem como objetivo formar o futuro governo afegão. A estimativa é de que sejam necessários pelo menos US$ 6 bilhões para reconstruir o país. Especialistas da ONU, porém, acreditam que os custos para recuperar o Afeganistão possam chegar a US$ 10 bilhões, já que os mais de 20 anos de guerra no país podem ter destruído praticamente todos os serviços públicos, como o de saneamento, estradas, telecomunicações, saúde, educação e moradia, além de toda a produção de alimentos. "Um apoio internacional intenso e a longo prazo será necessário para reconstruir o país", reconhece Yoshihiro Iwasaki, diretor do Banco de Desenvolvimento Asiático, que abriu a reunião. A conferência ainda conta com a presença do Banco Mundial, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e de 200 representantes afegãos de diferentes etnias e regiões do país. Uma das estratégias analisadas foi a de trazer profissionais afegãos que vivem em outros países para ajudar no treinamento de professores, médicos e mesmo para montar a nova burocracia do país. Ao mesmo tempo que a reunião era inaugurada em Islamabad, a ONU lançava, em Genebra, um apelo internacional para arrecadar US$ 2,5 bilhões para crises humanitárias que afetam 33 milhões de pessoas em outros 21 países, entre eles Angola, Sudão, Serra Leoa, Congo e Uganda. O interesse dos principais países em fazer doações nesses casos, porém, parece não acompanhar a atenção que o Afeganistão está recebendo. "Estamos conseguindo apenas 50% do que precisamos para programas de ajuda nesses países. Se os atentados terroristas não tivessem ocorrido nos Estados Unidos, o povo afegão também estaria na lista dos esquecidos pela comunidade internacional e continuariam sofrendo em silêncio", afirmou as Nações Unidas em um comunicado.

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