Começam especulações sobre sucessão na Arábia Saudita

Em meio à informação de que a Arábia Saudita seria considerada um "país inimigo" pelo Pentágono, começam as especulações sobre a sucessão do Rei Fahd, que desde 1982 ocupa o trono saudita. Desde o início de junho, o monarca está supostamente passando férias em Genebra, mas as freqüentes notícias sobre sua condição de saúde debilitada apontam que o motivo da viagem pode ser outro - a sucessão do monarca, que segundo um dos principais jornais de Genebra, o Tribune de Geneve, poderia ocorrer em novembro. De fato, os principais líderes do Oriente Médio, como o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o rei Abdallah II da Jordânia, estiveram nas últimas semanas na cidade suíça para visitas-relâmpago à Fahd. Até mesmo o presidente francês, Jacques Chirac, esteve em Genebra para saber das condições de saúde do monarca saudita, que gasta US$ 1 milhão por dia na cidade e vive em uma propriedade de 40 hectares com mais de 400 súditos. Desde 1995, O Rei Fahd - que sofre de artrite, é diabético e acaba de passar por uma cirurgia de catarata - deixou a administração do reino ao seu irmão, o príncipe herdeiro Abdallah. Pelas tradições sauditas, Abdallah seria o sucessor natural de Fahd, mas os norte-americanos não escondem que já estão irritados com a dupla estratégia de Riad de se declarar aliado de Washington e, mesmo assim, manter o apoio a terroristas e ser contra um ataque ao Iraque. Divisão Logo após os atentados terroristas de 11 de setembro, os Estados Unidos dividiram o mundo entre aliados e aqueles que apoiam o terrorismo. A Arábia Saudita parece ter sido um dos únicos países que não conseguiram ser colocados em nenhuma dessas classificações. Diante da situação, os norte-americanos estariam pressionando por uma sucessão que não incluísse Abdallah, supostamente responsável pela política contraditória de Riad. A sucessão deverá ser conturbada, principalmente depois do vazamento de um relatório do Pentágono que classifica a Arábia Saudita como um país inimigo. Além de Abdallah, os jornais suíços relatam que a disputa conta com outros três membros da família Al-Saud, cada um com uma visão sobre as relações com os Estados Unidos. O segundo na ordem de sucessão seria Sultan, ministro da Defesa e reconhecidamente um aliado de Washington. Mas o trono parece estar também sendo disputado por Abdelaziz, filho preferido de Fahd, de apenas 29 anos. O soberano saudita poderia seguir o mesmo exemplo do rei da Jordânia, que pouco antes de morrer, passou o trono a seu filho, e não ao irmão, como estava previsto. A disputa ainda conta com o emir de Riad, Salman, que controla a propaganda do país.

Agencia Estado,

07 Agosto 2002 | 20h13

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