Começam negociações na Ucrânia, mas conflitos continam

Forças do governo trocaram disparos nesta segunda-feira com separatistas pró-Rússia que controlam uma cidade do leste da Ucrânia, depois de o novo presidente do país ter anunciado que negociações diárias estão em curso com o objetivo de encerrar o conflito.

Agência Estado

09 de junho de 2014 | 11h36

Fortes estrondos e bombardeios eram ouvidos no centro de Slovyansk, onde pelo menos cinco prédios ficaram danificados após um ataque no dia anterior. A cidade tem sido o epicentro do impasse de quase dois meses entre forças ucranianas e rebeldes pró-Rússia, que tomaram prédios administrativos, delegacias de polícia e postos de fronteira em toda a região.

Os confrontos acontecem um dia depois de o presidente Petro Poroshenko ter anunciado que tiveram início negociações em Kiev entre Ucrânia, Rússia e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Poroshenko disse que a reunião teve como foco o fortalecimento da porosa fronteira entre Ucrânia e Rússia e afirmou que a Ucrânia "deve cessar-fogo até o final desta semana". Embora ele tenha prometido que os negociadores se reuniriam diariamente até que a crise seja resolvida, o presidente não falou se houve resultados no domingo.

A OSCE, cuja presidência rotativa pertence atualmente à Suíça, disse que Heidi Tagliavini, uma diplomata suíça que já trabalhou em crises em locais como Chechênia e Georgia, foi a representante dos negociadores. O gabinete de Poroshenko informou que o embaixador da Rússia na Ucrânia e o embaixador ucraniano na Alemanha também participaram do encontro.

A Rússia tem pedido à Ucrânia que encerre sua operação no leste, enquanto a Ucrânia responsabiliza a Rússia por fomentar as tensões na região e de apoiar os rebeldes com recursos materiais.

Os confrontos ainda podiam ser registrados por volta do meio-dia em Slovyansk, onde moradores disseram que prédios foram atingidos por morteiros um dia antes. Um ônibus com uma inscrição no para-brisas na qual se lia "crianças" saiu da cidade nesta segunda-feira.

Os rebeldes responsabilizam o governo ucraniano pelo crescente número de mortes de civis no conflito, mas a liderança em Kiev diz que os insurgentes atacam os civis para fomentar o ressentimento contra o governo.

O porta-voz da operação ucraniana no leste, Vladislav Seleznev, escreveu no Facebook na noite de domingo que os separatistas eram responsáveis pelo bombardeio em Slovyansk. Fonte: Associated Press.

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