REUTERS/Jorge Dan Lopez
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Comediante evangélico Jimmy Morales vence eleições presidenciais na Guatemala

O novo presidente, que recebeu 67,43% dos votos, anunciou que se reunirá com sua equipe econômica nesta segunda-feira para discutir as prioridades de 2016

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 10h01

CIDADE DA GUATEMALA - O comediante evangélico Jimmy Morales venceu as eleições para a presidência da Guatemala com o dobro de votos de sua rival, Sandra Torres.

Com 100% das mesas contabilizadas, Morales, de 46 anos, somou um número inédito de votos no país com 67,43% do apoio eleitoral, que corresponde a 2.749.634 votos. Sua rival, a ex-primeira-dama Sandra Torres, da União Nacional da Esperança (UNE), conseguiu 1.327.976 votos, ou seja 32,57%.

Desde a instauração da democracia em 1985, o candidato mais votado em um segundo turno foi Vinicio Cerezo, da Democracia Cristã Guatemala (DCG), que no mesmo ano conseguiu 68,37% dos votos. Outra votação memorável foi a de 1999, quando Alfonso Portillo saiu vencedor com 68,31%.

Segundo dados atualizados do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), dos mais de 7,5 milhões de guatemaltecos convocados às urnas no domingo, cerca de 4.253.417 eleitores votaram, o que representa uma participação do 56,29%, com abstenção de 43,71%.

Morales é um novato no mundo da política e surgiu após as manifestações contra a corrupção dos últimos meses. Ele se tornou o décimo presidente da era democrática da Guatemala e tomará posse no dia 14 de janeiro para um período de quatro anos.

Combate à corrupção. Jimmy Morales enfrentará uma situação complexa para cumprir o seu compromisso de combater a corrupção em um país marcado pela pobreza e pela insegurança.

Ele anunciou na noite de domingo que sua equipe econômica se reunirá nesta segunda-feira, 26, com o Congresso para discutir as prioridades de 2016. Dentre as medidas, estão o combate a desnutrição, o abastecimento dos hospitais com os remédios necessários e o apoio aos produtores.

“O que solicitamos ao novo governante são resultados concretos desde o primeiro dia. Queremos ver esse combate à corrupção com resultados mensuráveis”, disse o presidente da cúpula empresarial no Comitê Coordenador de Associações Agrícolas, Comerciais, Industriais e Financeiras (Cacif), Jorge Briz.

“É o que exigimos: o combate à corrupção. Queremos um novo governante honesto, capaz, que forneça resultados de imediato”, insistiu o empresário. Briz afirmou que é impossível administrar um país onde “se sabe que de 30% a 40% do gasto público está contaminado pela corrupção”.

Cerca de 54% dos 15,8 milhões de guatemaltecos vivem em condições de pobreza, enquanto o país registra 6 mil mortes por ano em razão da violência, um dos índices mais altos da América Latina.

Ao mesmo tempo, a educação está subfinanciada e os hospitais públicos sofrem com a falta de medicamentos. Além disso, o país tem uma das arrecadações tributárias mais baixas do continente, de aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB). /EFE e AFP

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