MIGUEL MEDINA / AFP
MIGUEL MEDINA / AFP

Comediante francês é condenado por piada sobre 'Charlie Hebdo'

Dieudonné foi considerado culpado por conivência com o terrorismo, mas escapou de cumprir pena na prisão e terá de pagar uma multa

O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 15h10

PARIS - O comediante francês Dieudonné M'bala M'bala foi considerado culpado nesta quarta-feira, 18, de conivência com o terrorismo em razão da uma piada que fez em sua conta no Facebook após os ataques que mataram 17 pessoas em Paris em janeiro, mas se livrou de uma possível pena de prisão.

A Justiça condenou Dieudonné a uma sentença suspensa de dois meses de prisão. A promotoria pediu também o pagamento de uma multa de 30 mil euros. No atual caso, ele poderia pegar até sete anos de prisão e ser multado em 100 mil euros.

O Tribunal Correcional de Paris concedeu o sursis a Dieudonné, um instrumento que determina a suspensão condicional da execução da pena. O condenado fica fora da prisão, mas é obrigado a cumprir determinadas exigências estabelecidas pelo juiz.

Dieudonné – multado várias vezes pelas cortes por seu discurso – havia escrito no Facebook, poucos dias após o atentado, "Eu me sinto Charlie Coulibaly". A frase foi um trocadilho com o slogan "Je Suis Charlie" (Eu Sou Charlie), criado em solidariedade aos cartunistas assassinados na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, junto com o nome de um dos autores dos ataques na capital francesa.

Amedy Coulibaly matou um policial durante um dos ataques e quatro judeus no supermercado que invadiu e fez reféns, antes de ser morto pela polícia.

Dieudonné publicou seu comentário no Facebook na véspera de uma grande marcha pública de solidariedade em Paris na qual mais de 3,7 milhões de pessoas, muitas carregando cartazes com os dizeres “Je Suis Charlie”, homenagearam os jornalistas, policiais e comerciantes mortos pelos atiradores islâmicos.

Outros casos. Dieudonné já foi considerado culpado de calúnia ou comentários antissemitas sete vezes e suas apresentações foram proibidas em algumas cidades por serem vistas como ameaças à ordem pública. As autoridades dizem que ele deve milhares de euros em multas relacionadas a condenações passadas.

O comediante, que diz não ser antissemita, tem a reputação de ter inventado a "quenelle", gesto que críticos dizem ser semelhante a uma saudação nazista invertida. /EFE e REUTERS

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