EFE/Esteban Biba
EFE/Esteban Biba

Comediante Jimmy Morales assume presidência da Guatemala

Eleito com amplo apoio popular em outubro, ator de 46 anos exercerá a presidência até 2020 em meio a crise econômica, política e institucional vivida pelo país

O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 13h17

CIDADE DA GUATEMALA - Jimmy Morales assumirá como presidente da Guatemala nesta quinta-feira, 14, com um amplo apoio da população cansada dos políticos tradicionais que encontrou no multifacetado comediante um antídoto contra a corrupção que vigora no país. O ator de 46 anos, que exercerá a presidência durante período 2016-2020, chega ao governo quase sem experiência política. Sua única incursão anterior foi em 2011, quando disputou a prefeitura do município de Mixco, e ficou em terceiro lugar.

Com uma ampla vantagem sobre sua oponente - a ex-primeira-dama socialdemocrata Sandra Torres -, Morales foi eleito em 25 de outubro. "Há muita expectativa, diante da necessidade de promover mudanças no país e solucionar os problemas que se tem. Jimmy Morales está assumindo em um contexto cheio de expectativa, de esperança e de demandas que se espera que sejam atendidas", disse o analista político José Carlos Sanabria, da Associação de Pesquisas e Estudos Sociais.

Ainda sem ter conseguido superar os problemas sociais que detonaram a sangrenta guerra civil (1960-1996) e sem controlar a corrupção e a violência associada às gangues e ao tráfico de drogas, a Guatemala entrou em uma severa crise em abril, quando se revelou uma fraude milionária no sistema nacional alfandegário. O escândalo levou milhares às ruas para protestar.

Liderada pela Procuradoria e pela Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), uma entidade ligada à ONU, a investigação levou o então presidente Otto Pérez Molina e sua então vice-presidente Roxana Baldetti a deixarem seus cargos para enfrentar a Justiça. Ambos são acusados de liderar uma rede que cobrava propina de empresários para sonegar impostos.

A insatisfação popular com a "velha política", como chamou Morales, deu-lhe o benefício da dúvida nas urnas. Agora, ele terá de pôr em prática seu compromisso de combater a corrupção, reduzir a pobreza que afeta 59,3% dos 16 milhões de guatemaltecos, principalmente nos povoados indígenas, e diminuir a violência que se materializa em uma taxa de 35,4 homicídios a cada 100.000 habitantes - um dos mais altos índices da região.

Truques. Morales mantém a composição de seu gabinete de governo em segredo e deve anunciá-lo a poucas horas de sua posse. Para Sanabria, está é uma de suas "principais fraquezas". "Isso alimenta as dúvidas, o ceticismo e as críticas em relação a Jimmy Morales, que, em alguma medida, também desperdiçou o importante processo de transição", acrescentou o analista.

O presidente de transição e ex-magistrado da Corte de Constitucionalidade, Alejandro Maldonado, que substituiu Pérez Molina após sua renúncia em setembro, disse à imprensa que um dos principais desafios do novo governante é trabalhar pela transparência no país.

Morales conquistou fama há 15 anos com o programa humorístico "Moralejas", coproduzido com seu irmão Sammy para a televisão. Um de seus principais personagens foi Neto, protagonista de filme de 2007. Na produção, este vaqueiro ingênuo do leste do país fica a um passo de ganhar a Presidência, mas desiste no último momento para pedir aos eleitores que reflitam antes de elegerem suas autoridades.

Poucos convidados. Morales receberá a faixa presidencial na tarde de quinta-feira, durante uma cerimônia no Teatro Nacional, no centro histórico da Cidade da Guatemala.

Segundo o Ministério guatemalteco das Relações Exteriores, por instrução de Morales e por restrições orçamentárias, reduziu-se a quantidade de convidados para a posse. Até agora, confirmaram presença o rei emérito da Espanha, Juan Carlos, e o vice-presidente americano, Joe Biden.

Também participam o presidente do México, Enrique Peña Nieto, do Equador, Rafael Correa, e de países da América Central. A única exceção é a Nicarágua, que será representada pelo vice-presidente Omar Halleslevens.

Em seguida, acontece uma cerimônia católica na Catedral Metropolitana e, na sexta-feira, um serviço evangélico, religião de Morales. / AFP

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