Genya SAVILOV / AFP
Genya SAVILOV / AFP

Comediante vence primeiro turno à presidência na Ucrânia

Volodmir Zelenski obteve 30,4% dos votos e o atual presidente, Petro Poroshenko, 16,1%, segundo dados parciais

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2019 | 18h39

KIEV - O comediante Volodmir Zelenski venceu com ampla vantagem o primeiro turno da eleição presidencial na Ucrânia, superando o atual presidente Petro Poroshenko, que enfrentará no segundo turno do dia 21.

Zelenzki recebeu no domingo 30,4% dos votos, segundo resultados parciais, anunciou a Comissão Eleitoral. Poroshenko obteve 16,1% dos votos.

O humorista de 41 anos, com experiência política limitada à interpretação de um presidente em uma série de televisão, superou as previsões mais otimistas. O resultado reflete a rejeição às elites, uma tendência particularmente forte na Ucrânia após anos de dificuldades econômicas e escândalos de corrupção.

A ex-premiê Yulia Tymoshenko, de 58 anos, que no início da campanha liderava as pesquisas, obteve 13,2% dos votos, segundo resultados parciais.

No domingo à noite Tymoshenko reivindicou o segundo lugar e denunciou pesquisas de boca de urna “desonestas”, o que poderia provocar tentativas de impugnação em um país que registrou duas revoluções em 28 anos de independência.

A polícia recebeu mais de 2.100 denúncias de suposta fraude, a maioria sem gravidade. “A votação ocorreu sem violações sistêmicas”, afirmou a presidente da Comissão Eleitoral, Tetiana Slipachuk.

“Este é apenas um primeiro passo para uma grande vitória”, afirmou Zelenski aos partidários. O índice de participação foi de 64%.

A Ucrânia, país de 45 milhões de habitantes, é um dos Estados mais pobres da Europa e atualmente enfrenta sua pior crise desde a independência, em 1991, após divergências com a Rússia e uma guinada para o Ocidente.

A Rússia afirmou que espera a vitória de “um partido que deseje uma verdadeira solução por etapas da situação no sudeste da Ucrânia”, o que parece indicar uma preferência por Zelenski. A chegada ao poder, em 2014, de um governo pró-Ocidente foi seguida pela anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia e um conflito com separatistas no leste, que deixou quase 13 mil mortos.

Poroshenko, que durante o mandato iniciou reformas nas Forças Armadas e nos setores de energia, saúde pública e educação, é criticado pelos esforços considerados insuficientes na luta contra a corrupção. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.