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Comentários americanos sobre suicídios em Guantánamo geram revolta

O entendimento dos Estados Unidos de que o suicídio de três presos do centro de detenção da Baía de Guantánamo foi uma jogada de marketing ou um ato de agressão provocou críticas internacionais nesta segunda-feira, com jornais e grupos de direitos humanos exigindo o fechamento do presídio.Ao analisar os suicídio, o subsecretário assistente de Estado para diplomacia pública dos EUA, Colleen Graffy, disse à rede de TV inglesa BBC que as mortes "certamente são uma boa jogada de relações públicas para atrair a atenção".Já o contra-almirante da Marinha americana Harry Harris denunciou os suicídios como um "ato da guerrilha assimétrica contra nós", mais do que um ato de desespero.Diante da reação americana aos suicídios, o jornal francês Le Monde condenou os comentários de Graffy, dizendo que eles "ilustram o abismo que separa autoridades americanas do resto do mundo nessa sinistra questão".O britânico The Guardian classificou as palavras de Harris de "frias e odiosas"."Elas estão inteiramente de acordo com a ilegalidade clínica do tratamento dado pelos EUA aos suspeitos de terrorismo desde 2001", acrescentou o diário de tendência esquerdista.Os suicídiosOs três homens - dois sauditas e um iemenita - se enforcaram depois de serem mantidos por cerca de quatro anos no campo de prisioneiros sem qualquer acusação formal. Cerca de 460 homens acusados de vínculos com o regime Taleban do Afeganistão ou com a rede terrorista Al-Qaeda ainda continuam naquela prisão. A maioria por mais de quatro anos sem saberem do que são acusados.O Departamento de Estado americano tentou nesta segunda-feira se distanciar dos comentários de Graffy."Não diríamos que foi uma jogada de relações públicas", reagiu o porta-voz do departamento, Sean McCormack. "Temos sérias preocupações sempre que alguém acaba com sua própria vida".A Anistia Internacional afirmou que os comentários de Graffy "mostram uma deprimente desconsideração com a vida humana" e se mostrou "profundamente preocupada" com a estimativa do contra-almirante Harris."A declaração do comandante é totalmente inapropriada e faz parte de um padrão de comentário oficial sobre a suposta culpa dos detidos que nunca tiveram a oportunidade de desafiar sua detenção num tribunal", afirmou Rob Freer, um analista da Anistia.Para o grupo, autoridades militares americanas "têm se mostrado indiferentes ao sofrimento psicológico dos detidos". A Anistia pediu por uma investigação independente, civil, das mortes; e o acesso irrestrito de especialista da Comitê Internacional da Cruz Vermelha aos prisioneiros de Guantánamo.

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