REUTERS/Toby Melville/
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Comentários da equipe de Trump sobre 'fatos alternativos' são comparados à distopia de George Orwell

O clássico '1984' do escritor britânico chegou nesta quarta-feira ao topo dos livros mais vendidos na popular loja online Amazon

O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2017 | 17h47

WASHINGTON - Os polêmicos comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alguns integrantes de seu governo impulsionaram as vendas do livro 1984, de George Orwell, cuja editora aumentou a impressão de exemplares.

O clássico do escritor britânico chegou nesta quarta-feira, 25, ao topo dos livros mais vendidos na popular loja online Amazon. A procura aumentou desde que a conselheira de Trump, Kellyanne Conway, defendeu a versão "alternativa" do governo sobre o número de pessoas que presenciaram a posse do novo presidente, na sexta-feira.

Um porta-voz da editora Penguin afirmou nesta quarta-feira à emissora CNN que, embora o romance costume registrar um aumento nas vendas no começo do ano, o número de impressões desta semana foi notavelmente maior.

"Realizaremos uma reimpressão de 75 mil exemplares nesta semana, o que representa uma reimpressão substancial e maior que nossa reimpressão normal", disse o porta-voz.

Na sua visita do sábado passado à sede da CIA em Langley (Virgínia), Trump acusou os veículos de comunicação de mentir sobre a presença de público em sua posse presidencial e declarou que os jornalistas estão "entre os seres humanos mais desonestos da Terra".

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, lamentou depois em sua primeira coletiva, visivelmente incomodado, as tentativas "vergonhosas e incorretas" de alguns veículos de comunicação em "minimizar o enorme apoio" que se viu nos atos de posse.

Kellyanne utilizou então o termo "fatos alternativos" ao respaldar os comentários de Spicer sobre a presença de público à posse do magnata, que foi menos numerosa que a de seu antecessor, Barack Obama, em 2009.

Em razão destes comentários, vários usuários das redes sociais compararam esses "fatos alternativos" com o uso do "duplo pensamento" ou "duplipensar" em 1984, conceito com o qual o governo apresenta dois fatos contraditórios como verdadeiros.

Segundo dados da Nielsen BookScan, o livro de Orwell vendeu 47 mil cópias impressas desde as eleições presidenciais de 8 de novembro, frente às 36 mil do mesmo período do ano passado.

O romance também registrou um aumento de vendas em 2013, depois que o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA Edward Snowden divulgou detalhes sobre os programas de vigilância em massa.

1984 é um romance político de ficção distópica, publicado pela primeira vez há 68 anos, que narra uma sociedade onde a informação é manipulada e a vigilância em massa e a repressão política e social são práticas comuns. / EFE

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