Comércio bilateral já vinha sofrendo com disputas

Exportações venezuelanas para a Colômbia caíram pela metade em seis meses; empresários temem piora

João Paulo Charleaux, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

A decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de congelar as relações com Bogotá pode, além de elevar a temperatura política na região, trazer consequências negativas para a economia de ambos os países.A Colômbia é o segundo maior destino das exportações venezuelanas, excluindo o petróleo. Mas a Venezuela também ocupa o segundo lugar entre os países que mais importam produtos da Colômbia. A dependência mútua tem obrigado empresários de Caracas e Bogotá a pressionarem seus governos para que evitem contaminar a economia com rusgas políticas em meio à crise econômica mundial."É evidente que isso tudo terá um impacto negativo nas relações comerciais entre os dois países", disse ao Estado o porta-voz da Câmara de Integração Econômica Venezuela Colômbia, Daniel Montealegre."Já fizemos um pedido formal aos dois governos para que mantenham suas diferenças nos âmbitos político e diplomático, evitando a contaminar o comércio. Mas quem é capaz de prever até onde os estragos podem chegar?", disse.A transação comercial entre os dois países deve ser 20% menor em 2009 do que em 2008.Quem mais perdeu nesse período foi a Venezuela. Só no primeiro semestre, a queda das exportações para o mercado colombiano foi de 52%, em comparação com os seis primeiros meses do ano passado. A câmara, que representa 150 empresas colombianas, venezuelanas e de capital misto, teme que a crise provocada pela suposta venda de armas do governo Chávez para guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) piore ainda mais o desempenho no que resta de 2009.Entre os motivos que vinham influenciando a queda estão a desvalorização da moeda venezuelana e a crise econômica mundial, acompanhadas do clima de incerteza provocado pelos constantes atritos políticos entre os dois governos."Esta é uma situação absolutamente ridícula. Mas quando a gente ameaça é porque existe uma possibilidade de cumprir", disse José Félix Lafaurie, presidente da Federação Colombiana de Pecuária, responsável por um setor que contribui com US$ 1 bilhão de exportações anuais para a Venezuela.Além do comércio de carne e leite, a venda de ferro, alumínio, produtos petroquímicos e automóveis também poderia ser afetada pela deterioração da relação.Em 2008, o comércio bilateral chegou a US$ 7,2 bilhões, sendo US$ 6 bilhões favoráveis a Bogotá. No início do ano, Chávez prometeu fazer com que a balança comercial com a Colômbia rendesse US$ 10 bilhões em 2009.

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