Comércio com Bogotá continua, apesar de insultos

Discurso hostil de Chávez não interrompe intercâmbio comercial entre Venezuela e Colômbia

Lourival Sant?Anna, Caracas, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

A crise entre a Venezuela e a Colômbia não deve afetar as relações comerciais entre os dois países. Foi o que disse ontem ao Estado o presidente da Câmara de Integração Econômica Venezuelano-Colombiana, Daniel Montealegre. "Entendemos que o presidente Hugo Chávez não quer mais contatos pessoais nem de governo com o presidente Álvaro Uribe, mas que continua igual o intercâmbio comercial", disse Montealegre. "As alfândegas funcionam normalmente e estamos tranqüilos."Chávez declarou na quarta-feira que não teria mais relações com o governo da Colômbia enquanto Uribe fosse presidente, por causa da decisão do líder colombiano de pôr fim ao seu papel de mediador para a libertação de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mas não explicou o nível de ruptura das relações. Mais tarde, o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, foi ainda mais vago: "Chamamos de volta nosso embaixador em Bogotá e estamos em processo de análise das relações de maneira integral. O presidente decidirá a política e anunciará ao país.""O que Chávez fez ontem (quarta-feira), segundo entendemos, foi repetir o pronunciamento de domingo (no qual anunciou que colocava as relações no ?congelador?)", disse Montealegre. "É um rompimento das relações diplomáticas." Apesar de se declarar "tranqüilo", o presidente da Câmara acrescentou: "Nossa expectativa é a de que se solucione rápido a crise e baixe o nível de angústia e tensão entre os investidores."O jornal El Nacional, de Caracas, publicou ontem uma reportagem citando fontes do governo colombiano segundo as quais a expectativa em Bogotá é a de que se agrave a crise. As fontes temem que o governo venezuelano tome medidas concretas, a partir da semana que vem, para restringir o comércio e os investimentos entre os dois países. Em meio ao distanciamento com Uribe, Chávez cancelou sua ida ao Equador, onde assistiria hoje à abertura oficial dos debates da Constituinte, informou a chancelaria equatoriana, acrescentando que a ausência se deverá à situação interna da Venezuela. Uribe comparecerá.A Colômbia é o segundo maior parceiro comercial da Venezuela, depois dos EUA. O intercâmbio total se aproxima de US$ 6 bilhões, dos quais mais de US$ 4 bilhões representam exportações colombianas.A Colômbia exporta para o país vizinho autopeças, carne, frango, ovos, leite, confecções, calçados, papel, papel-cartão e material elétrico, e importa produtos petroquímicos e siderúrgicos. Além disso, grandes grupos colombianos têm investimentos na Venezuela.

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