Comércio determina laços com árabes

A política de "problema zero" com os vizinhos foi vital para o sucesso da economia turca. O forte crescimento econômico do país desde 2003 tem sido puxado, em parte, pelo aumento no comércio exterior. A maioria dos produtos turcos é destinada ao Oriente Médio. Sete dos principais fregueses de Ancara ficam na região e o país tem investimentos importantes na Líbia, no Egito e na Síria. Com a primavera árabe, os turcos viram seus negócios ameaçados.

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2011 | 00h00

Na Líbia, por exemplo, empresas turcas tinham investimentos de US$ 15 bilhões, principalmente no setor de construção civil. Antes do início dos protestos contra o ditador Muamar Kadafi, cerca de 15 mil turcos trabalhavam no país. De 2006 a 2010, as exportações para Trípoli cresceram 295% e somaram, no ano passado, US$ 1,9 milhão.

"A economia desempenha um papel muito importante na diplomacia emergente", diz a cientista política Gonul Tol. "No caso da Líbia, o premiê Recep Tayyip Erdogan hesitou em pedir a saída de Kadafi porque o país tinha investimentos e trabalhadores na Líbia." O analista Henri Barkey, da Universidade de Lehigh, lembra que a relação de Kadafi e Erdogan era bastante próxima.

Síria e Egito, outros países em que a diplomacia turca desempenhou um papel relevante durante a primavera árabe, também são parceiros comerciais importantes de Ancara. As vendas para a Síria cresceram 203% desde 2006 e somaram no ano passado US$ 1,8 milhão. No caso egípcio, o aumento foi de 218% e as exportações totalizaram US$ 2,2 milhões.

Nesses países, no entanto, a questão política falou mais alto do que a econômica. Rival do Egito no Oriente Médio, Erdogan apressou-se em defender a saída de Hosni Mubarak quando os primeiros protestos tomaram a Praça Tahrir. Na Síria, o primeiro-ministro defendeu o diálogo.

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