Comércio reclama de prejuízo

Fechamento de fronteira deixa 150 caminhões na fila

Roberto Lameirinhas, LAS MANOS, HONDURAS, O Estadao de S.Paulo

27 de julho de 2009 | 00h00

O toque de recolher e o fechamento das fronteiras de Honduras têm causado prejuízo para comerciantes das pequenas cidades das áreas fronteiriças e, desde quarta-feira, paralisam o transporte de carga entre o país e seus vizinhos. Em Las Manos, cidade vizinha do território nicaraguense, pelo menos 150 grandes caminhões aguardavam ontem em fila, há quatro dias, a liberação da fronteira para que pudessem passar para a Nicarágua. Estima-se que pelo menos outros 200 caminhões estejam aguardando a abertura da alfândega no lado nicaraguense."Não sabemos quanto tempo mais teremos de ficar aqui", disse ao Estado o caminhoneiro Paco Arellana, na fila desde quinta-feira, quando o governo de facto de Roberto Micheletti endureceu as medidas de restrição diante do anúncio do líder deposto, Manuel Zelaya, de que retornaria a Honduras a partir da Nicarágua. "Nosso dinheiro para comprar comida está acabando e muitos devem perder o prazo para a entrega dos fretes."Um grupo de caminhoneiros passa o tempo jogando baralho, protegendo-se do sol escaldante na sombra dos próprios contêineres. "Simplesmente não há o que fazer. Temos apenas de esperar", conformava-se um dos jogadores, Ernesto Sandino. O corredor rodoviário liga o Porto Cortés, no norte de Honduras, à Nicarágua e a outros países da América Central.Em Danlí, cidade próxima à fronteira, o toque de recolher e o temor de choques violentos mantêm fechados praticamente todos os estabelecimentos comerciais. Blanca Yalí, dona de uma lan house, foi convencida a abrir a casa para alguns jornalistas estrangeiros que necessitavam de um ponto de acesso à internet. "É a primeira vez em três dias que atendo um cliente, mas não posso manter a lan house funcionando por muito tempo. Posso ser sancionada pelas autoridades por romper o toque de recolher ou ser vítima de vândalos", afirmou.Uma das poucas partidárias de Micheletti na cidade, ela deplorava a tentativa de Zelaya de voltar ao país. "Eu me pergunto o que esse senhor pretende."

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