Comício de Capriles em Caracas reúne multidão

Apesar da vantagem de Maduro nas pesquisas, candidato opositor diz que ganhará no domingo e tornará realidade as promessas feitas pelo governo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2013 | 02h02

O principal candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, reuniu ontem centenas de milhares de seus partidários em um tradicional local de manifestações do chavismo, em Caracas. Em vez do vermelho da campanha do candidato e presidente em exercício, Nicolás Maduro, a Avenida Bolívar - que corta o centro da capital - foi colorida pelo amarelo, azul e vermelho de Capriles, as cores da bandeira venezuelana. Os dois se enfrentarão nas urnas no domingo.

Os venezuelanos chegaram de diversos pontos da capital para reunir-se com o candidato do partido Primero Justicia, que disputará a presidência pela segunda vez em seis meses. Em outubro de 2012, Capriles foi derrotado pelo então presidente Hugo Chávez, que morreu há um mês depois de dois anos de luta contra um câncer na região pélvica.

Com um rosário no pescoço e uma camisa vermelha, Capriles apresentou-se a milhares de caraquenhos para pedir seus votos e lhes assegurar que as promessas não cumpridas do governo se tornarão realidade com ele. O candidato opositor também assegurou que a candidatura de Maduro "despencou".

"Nosso povo foi abrindo os olhos e percebeu o que está acontecendo, que as coisas como estão hoje não vão a nenhum lado positivo", disse Capriles, de 40 anos, durante o comício.

Apesar de as pesquisas divulgadas na Venezuela atribuírem a Maduro uma vantagem de entre 10 e 20 pontos porcentuais, Capriles assegurou que ganhará. Ele reconheceu que a diferença pode ser grande, mas pediu a seus seguidores que não sejam derrotistas e não acreditem que "a tarefa já está feita".

Maduro, designado pelo próprio Chávez como seu sucessor, tenta se mostrar parecido a seu padrinho e propõe seguir guiando a Venezuela pelo caminho do socialismo do século 21 com grande controle estatal sobre a economia.

Capriles, por sua vez, defende um governo que diz ser inspirado no do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em dois mandatos retirou 20 milhões da pobreza.

Capriles acusou ontem Maduro de ser um "vagabundo" que nunca trabalhou quando era funcionário do metrô de Caracas. "Agora anda se fazendo de trabalhador e conduzindo ônibus", declarou Capriles. Maduro, explorando suas raízes de motorista e sindicalista, vai dirigindo um ônibus para seus comícios de campanha. "Chávez estabeleceu a rota, Maduro nos guia", diz o slogan da campanha governista para as eleições de domingo. / REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.