Comida mais cara deve gerar mais violência, diz Cruz Vermelha

A crise mundial dos alimentos ameaçaprovocar ainda mais violência em zonas de guerra onde milhõesde pessoas vivem de forma já precária, afirmou na terça-feira oComitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC). A agência humanitária prometeu dar continuidade a seutrabalho em 52 países apesar do aumento do preço dos alimentosque a obrigou a elevar seus gastos com os produtos alimentíciosem quase 200 por cento, para um total de 100 milhões de francossuíços (98 milhões de dólares), ou um décimo do orçamento daentidade para 2008. "Há uma chance de presenciarmos surtos de violência ligadosà falta de alimentos. Em cenários onde as pessoas já seencontram em uma situação muito ruim, e vimos exemplos disso,pode-se ter casos de violência induzidos pela crise dosalimentos", afirmou o presidente do ICRC, Jakob Kellenberger. A agência divulgou seu relatório anual na terça-feira, eKellenberger disse em uma entrevista coletiva ser fundamentalque os esforços de ajuda cheguem às áreas de conflito e emoutros pontos de tensão onde o acesso à comida poderia ser uma"questão de sobrevivência". Neste ano, a fim de prestar auxílio aos civis imersos emconflitos armados, o ICRC precisará gastar uma grande soma comalimentos e medidas de proteção. "Está bastante claro que esteserá um ano de inchaço dos gastos. E isso tem relação, emgrande parte, com a questão dos alimentos." A agência, com sede na Suíça, vem intensificando adistribuição de alimentos no Iêmen e na Somália, onde adisparada do preço dos alimentos atinge de formaparticularmente dura os mais pobres. O Quênia e a República Democrática do Congo também devemreceber mais alimentos. E o Chade, o Haiti e o Afeganistãoprecisarão de ajuda em caráter de urgência. Os preços mundiais dos produtos básicos elevaram-seacentuadamente no ano passado, provocando distúrbios em algunspaíses. O ICRC estima hoje que precisará comprar 92 mil toneladasde comida neste ano, disse um porta-voz. No ano passado, a entidade gastou 944 milhões de francossuíços (919 milhões de dólares) com os projetos de ajuda emvários países, entre os quais o Iraque e o Sudão, onde serviçosbásicos como atendimento médico tornaram-se quase inexistentes,afirmou o relatório anual da Cruz Vermelha. No mundo todo, o ICRC implantou projetos de fornecimento deágua limpa e de esgoto que ajudaram mais de 14 milhões depessoas. Além disso, forneceu material médico para hospitais eclínicas que trataram de quase 2,9 milhões de pacientes.

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