REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Comida, paz e amor: as promessas da Constituinte na Venezuela

Oposição se nega a participar da votação e insiste que o processo busca unicamente manter o presidente chavista no poder

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 16h36

CARACAS - Dentre as principais promessas do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e os candidatos à Assembleia Constituinte, estão a melhoria da economia e dos programas sociais, além do alcance da paz e a preservação do “amor”.

As mensagens dos candidatos são transmitidas em cadeias obrigatórias de rádio e televisão. A oposição, que se negou a participar da votação, insiste que a Constituinte busca somente perpetuar Maduro no poder. Veja abaixo o que vem sendo prometido na campanha.

Comissão da verdade

O líder chavista anunciou que um dos primeiros passos da Constituinte será instalar uma “comissão da verdade para investigar os crimes da direita” durante os protestos, que pedem sua saída do poder e já deixaram mais de 100 mortos desde o dia 1.º de abril.

“Sou o mais interessado em que se saiba toda a verdade”, afirmou Maduro em razão das denúncias de violações de direitos humanos por parte de militares e policiais nas manifestações. A candidata Delcy Gómez prometeu “garantir a paz e o amor”.

‘Aperfeiçoar’ a economia

O presidente também pretende “aperfeiçoar o sistema econômico” para superar a crise causada pela queda no preço do petróleo. Na quinta-feira 27, reta final da campanha, ele mostrou um livro intitulado “Venezuela, o país das mil e uma oportunidades”, que guia as propostas econômicas.

Maduro já havia antecipado que pedirá à Assembleia Constituinte uma lei de controle dos preços contra a “especulação” e a “guerra econômica”. Segundo ele, os dois fazem parte de uma estratégia conduzida por opositores e empresários para prejudicar os venezuelanos e causar sua queda.

Desde 2003 está vigente um controle de preços de produtos básicos. Os empresários afirmam que isso desestimula a produção e intensifica a escassez de alimentos e remédios. Eles também dizem que a falta de oferta aumenta a inflação, a qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) alega que fechará em 720% neste ano.

Constitucionalizar missões

Outra promessa dos chavistas é constitucionalizar as “missões”, como o governo chama seus programas sociais, e o “carnê da pátria”, cartão eletrônico que serve para ter acesso a esses benefícios e comprar alimentos subsidiados.

Segundo Maduro, ao constitucionalizar a “Missão Habitação” - com a qual garante ter construído milhões de casas -, entregará apartamentos aos casais jovens para quando forem se casar.

Melhorar a segurança

O presidente chavista quer reformas o sistema policial e endurecer as penas contra violações, sequestros, homicídios e terrorismo. A Venezuela registrou 21.752 homicídios em 2016, uma taxa de 70,1 para cada 100 mil habitantes, quase 9 vezes maior à média mundial, segundo a Procuradoria-geral do país.

Democracia participativa

Maduro propõe “novas formas de democracia participativa” que, segundo a oposição, significa um sistema eleitoral setorizado que privilegiaria o voto chavista.  / AFP

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