Comissão acusa Bahrein de 'usar força excessiva'

O regime do Bahrein usou força "excessiva e desnecessária" contra opositores durante protestos, em fevereiro e março, de acordo com uma comissão independente formada para investigar violações de direitos humanos cometidas pela monarquia.

MANAMA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h07

A investigação, encomendada pelo sultanato para tentar reduzir as tensões no país, acusa o regime de matar 35 manifestantes, promover "ataques no meio da noite para criar medo", torturar presos e destruir mesquitas xiitas em "operações que pareciam ser punições coletivas".

O rei Hamad Bin al-Khalifa admitiu cinco mortes, mas negou "haver uma política de tortura e uso da força" em seu governo. O monarca prometeu investigar os casos mencionados e disse que a repressão terminou no dia 1.º de junho, sem dar detalhes.

O relatório de 500 páginas, comandado pelo jurista egípcio-americano Mahmoud Cherif Bassiouni, revela, ainda, não haver provas de que o Irã tenha incitado os protestos da maioria xiita contra a monarquia sunita, como sugeriram, na ocasião, os regimes do Bahrein e da Arábia Saudita. "As provas apresentadas (...) não demonstram vínculo claro entre os acontecimentos no Bahrein e o papel do Irã", declarou Bassiouni, ontem.

Centenas de pessoas foram presas durante os protestos, incluindo médicos que tratavam feridos, segundo organizações de direitos humanos. Forças de segurança da Arábia Saudita entraram no Bahrein para apoiar a monarquia contra opositores.

Em e-mail ao Estado, Maryam Al-Khawaja, do Bahrein Center for Human Rights, lamentou que o relatório "não tenha tocado em muitos pontos". A organização divulgou, anteontem, evidências do envolvimento do governo no massacre de opositores. Horas antes da divulgação do relatório de ontem, as forças do regime reprimiram com violência manifestantes que estavam no velório de um adolescente morto por militares no fim de semana. / G.C.

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