Comissão afegã exclui votos suspeitos em 83 seções eleitorais

A comissão apoiada pelas Nações Unidas que investiga fraudes na eleição do Afeganistão emitiu nesta quinta-feira, 10, as primeiras ordens para a exclusão dos votos de algumas seções do resultado final. Todas as urnas de 83 seções eleitorais pelo país serão desconsideradas, todas nas áreas de forte apoio ao atual presidente, Hamid Karzai.

Associated Press e Efe,

10 de setembro de 2009 | 09h43

 

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A comissão anunciou que vai ignorar 51 seções na província de Kandahar, 27 em Ghazni e cinco em Paktika pelas claras evidências de fraude, informou em comunicado a Comissão de Reclamações Eleitorais. As três províncias são dominadas pela etnia Pashuns e são áreas em que Karzai, do mesmo grupo étnico, deveria ter a maioria dos votos.

 

As decisões da comissão não podem ser contestadas, pelas leis eleitorais afegãs. As críticas internacionais ao processo têm aumentado desde a terça-feira, quando resultados preliminares de 92% das urnas mostravam o atual presidente, Hamid Karzai, com mais de 50% dos votos, o que evitaria um segundo turno. Com a exclusão de várias urnas esse resultado pode ainda mudar. Caso haja nova votação, Karzai deve enfrentar o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah.

 

A comissão ordenou uma auditoria e recontagem nas seções onde o comparecimento foi de 100% ou mesmo superior a isso, ou onde um candidato teve mais de 95% dos votos.

 

O National Democratic Institute, sediado em Washington, concluiu que havia várias seções com mais de 100% de comparecimento nas províncias do Nuristão, Paktia, Helmand e Badghis, entre outros locais. Essas áreas estavam entre as mais perigosas no dia da eleição, onde houve baixo comparecimento, pois os eleitores temiam ataques de insurgentes.

 

A Comissão de Reclamações Eleitorais já recebeu mais de 2.800 reclamações sobre o dia da eleição e o processo de contagem. Entre essas, 726 foram consideradas sérias e específicas o suficiente para afetar os resultados finais.

 

Até o momento, Karzai aparece nas parciais com 54%, ante 28% de Abdullah. Funcionários esperam divulgar os resultados finais no sábado, mas então ainda será preciso esperar as investigações de fraude e as recontagens.

 

Comissão eleitoral parcial

 

Abdullah Abdullah, principal rival de Hamid Karzai nas eleições celebradas em agosto no Afeganistão, questionou a imparcialidade da Comissão Eleitoral (IEC) do país ao acusar esse organismo de apoiar ao presidente afegão. Em entrevista divulgada pela cadeia britânica BBC, o ex-ministro afegão de Relações Exteriores afirma que a IEC "não é independente em absoluto", já que "está do lado do presidente Karzai".

 

Segundo Abdullah, a Comissão Eleitoral "é corrupta e sua negligência está agora estendida". "Acredito - ressalta o candidato eleitoral - que não é bom para o país que alguém que comete fraude maciça dirija o país durante cinco anos". Abdullah insiste em que o "resultado fraudulento" das eleições implica um governo "ilegítimo", o que constitui uma "receita para a instabilidade deste país".

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