Comissão aprova Gates para substituir Rumsfeld

A nomeação do ex-diretor da CIA Robert Gates para secretário de Defesa dos EUA foi aprovada nesta terça-feira por uma comissão do Senado americano, abrindo o caminho para a substituição de Donald Rumsfeld. Caso seja confirmado pelo plenário do Senado, Gates terá a difícil tarefa de assumir a condução da guerra do Iraque, conflito que segundo ele próprio não está sendo vencido pelos Estados Unidos.Em uma reunião realizada a portas fechadas após cinco horas de questionamentos, a comissão aprovou a nominação de Gates por unanimidade. Durante a sabatina de confirmação realizada nesta terça-feira pela Comissão de Forças Armadas do Senado, o homem escolhido pelo presidente George W. Bush para substituir Rumsfeld foi mais bajulado do que criticado. Ele se disse aberto a novas idéias para corrigir o atual curso no Iraque. Segundo Gates, caso o país árabe não seja estabilizado nos próximos um ou dois anos, ele representará um risco regional e internacional. Por isso, ele afirmou que, caso seja confirmado, a guerra será sua principal prioridadeA julgar pela tendência, Gates deve ganhar a confirmação pelo plenário do Senado, previsto para a próxima semana.SabatinaDurante a sabatina no Comitê de Forças Armadas do Senado, Gates afirmou que os Estados Unidos não estão vencendo a Guerra do Iraque e que está disposto a considerar novas idéias para reconduzir o conflito. Além disso, ele descartou uma eventual ofensiva americana contra o Irã ou a Síria"Do meu ponto de vista, todas as opções estão sobre a mesa em termos de como podemos enfrentar o problema no Iraque. O que estamos fazendo agora não é satisfatório", reconheceu, após responder com um claro "não" à pergunta sobre se achava que os EUA estavam vencendo a guerra.Na sua opinião, a estratégia que Washington decidir seguir em território iraquiano determinará se ocorrerá uma melhora lenta, mas constante da situação, ou se os EUA e o Iraque enfrentarão "um risco muito real de uma conflagração regional".O candidato ao Pentágono disse aos senadores que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tinha pedido a ele que adotasse um novo enfoque em relação ao conflito iraquiano, algo que está disposto a fazer imediatamente, sem descartar opções.O que parece ter claro, assim como Bush, é que a retirada de tropas não é uma alternativa. "Deixar o Iraque no caos teria conseqüências perigosas tanto para a região como em nível mundial durante muitos anos", assegurou.Antes de ir ao Senado, Robert Gates se reuniu com o presidente na Casa Branca, ao término do qual Bush pediu aos senadores que acelerem os trâmites para sua confirmação como secretário de Defesa. Em um breve comparecimento diante da imprensa, Bush se mostrou convencido de que o candidato a substituir Rumsfeld "será um bom secretário de Defesa e aqueles que usam uniforme sabem que terão um amigo no Pentágono".Robert Gates, de 63 anos, foi diretor da CIA entre novembro de 1991 e janeiro de 193 e desempenhou um papel-chave na primeira Guerra do Golfo, assim como durante a crise dos reféns do Irã e a invasão soviética do Afeganistão.Irã e SíriaTambém durante a sabatina desta terça-feira, Gates afirmou que os Estados Unidos pagariam um preço extremamente alto se decidirem por atacar militarmente o Irã ou a Síria.Gates sugeriu que o Irã poderia responder a um ataque dos EUA fechando o Golfo Pérsico para a exportação de petróleo e "soltando uma significativa onda terrorista" no Oriente Médio, Europa e Estados Unidos.Sem ser cooperativo no Iraque, a República Islâmica poderia complicar ainda mais a situação dos EUA no país árabe, suprindo grupos terroristas com armas químicas e biológicas.Gates acrescentou ainda: "capacidade do Irã de levar o Hezbollah a desestabilizar ainda mais o Líbano, penso, que é muito real".O indicado à secretário de Defesa considerou que um ataque militar contra o Irã dever ser "um absoluto último recurso". A primeira opção para os EUA lidarem com o Irã deve ser pela diplomacia e coordenação com aliados."Penso que temos visto, no Iraque, que uma vez que a guerra é lançada, ela se torna imprevisível", disse.Em relação à Síria, Gates opinou que um ataque dos EUA contra o país promoveria uma onda de antiamericanismo no Oriente Médio.Ele teria "conseqüências dramáticas para nós no Oriente Médio", advertiu. "Provocaria um antiamericanismo maior do que temos visto até agora. Isto iria complicar dramaticamente nossas relações com todos os países na região".

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