Yuriko Nakao/Reuters
Yuriko Nakao/Reuters

Comissão critica preparativos do Japão para acidentes nucleares

Relatório sugeriu que medidas adotadas após o acidente de Fukushima não são suficientes

RISA MAEDA, Reuters

23 de julho de 2012 | 10h40

TÓQUIO - Uma comissão governamental que investiga o acidente nuclear de Fukushima apontou na segunda-feira dúvidas sobre os preparativos de outras usinas japonesas para a eventualidade de um desastre, apesar das novas regras de segurança em vigor, e apresentou uma dura avaliação sobre as autoridades reguladoras e da empresa operadora de Fukushima.

Veja também:

linkSegunda usina atômica no Japão retoma geração de energia

linkRadiação de Fukushima pode matar até 1,3 mil pessoas

forum CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

Esse é o segundo relatório sobre o desastre divulgado neste mês, e ele deve ser esmiuçado pelo cada vez mais inflamado movimento antinuclear japonês, num momento em que dois reatores do país acabam de ser religados, e o governo se prepara para adotar uma nova política energética no mês que vem.

A comissão sugeriu que as medidas de segurança adotadas em usinas do país após o acidente de Fukushima, em março de 2011, podem não ser suficientes no caso de uma catástrofe grande e complexa, seja por falha humana ou por causas naturais. O relatório enfatiza o fato de o Japão ser uma "nação propensa a desastres" como terremotos, tsunamis, inundações e vulcões.

"Entendemos que as medidas de segurança imediatas estão sendo ainda mais detalhadas e irão se materializar no futuro. Mas pedimos fortemente às pessoas envolvidas para que façam esforços continuados para dar passos realmente efetivos", disse a comissão, presidida por Yotaro Hatamura, professor de Engenharia da Universidade de Tóquio.

Os especialistas disseram também que a empresa Tokyo Electric Power Co (Tepco), operadora da usina Fukushima Daiichi, e as autoridades reguladoras não conseguiram se planejar para um grande desastre natural, deixando-se enganar pelo "mito da segurança".

Neste mês, uma comissão nomeada pelo Parlamento chegou a uma conclusão semelhante, e acusou as autoridades reguladoras e a Tepco de "conluio". O relatório da comissão governamental não fez essa acusação.

"Tanto o governo quanto as companhias deveriam estabelecer uma nova filosofia de prevenção de desastres que exija segurança e medidas contra um enorme acidente e desastre... independentemente da probabilidade do evento", disse o novo relatório.

Em entrevista coletiva, Hatamura disse que a crise de Fukushima, desencadeada por um terremoto e um tsunami, "ocorreu porque as pessoas não levaram tão a sério o impacto de desastres naturais".

"Embora houvesse algumas novas descobertas (sobre o risco de tsunami), a Tepco não conseguiu vê-las, porque as pessoas estão cegas para aquilo que não desejam ver."

Todos os 50 reatores nucleares japoneses foram interditados depois do acidente de Fukushima, mas dois deles foram religados neste mês. Críticos dizem que esses reatores não cumpriram todas as novas medidas de segurança anunciadas em abril, e 100 mil pessoas fizeram uma manifestação contra a reativação do reator na semana passada em Tóquio.

Mais conteúdo sobre:
Japãonuclearcomissão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.