EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Comissão da MUD vai ao Itamaraty por apoio contra Maduro

Representantes da Comissão de Relações Internacionais querem posição mais ativa do Brasil na crise política e econômica  do país

Luiz Raatz, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2016 | 19h02

Parlamentares opositores que chefiam a Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional venezuelana se reúnem na quinta-feira, 25, com o chanceler Mauro Vieira, na sede do Itamaraty, em Brasília, em busca de apoio para a campanha da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) pela saída constitucional do presidente Nicolás Maduro, em meio à grave crise econômica que atinge o país. Na avaliação dos deputados, o fato de representantes do governo brasileiro se reunirem com representantes da oposição mostra uma mudança de posição em relação à Venezuela. 

"Vamos falar com o Itamaraty da grave crise institucional e do controle do governo sobre o TSJ, que tem dificultado o funcionamento da AN que foi eleita democraticamente. ", disse o chefe da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional Luis Florido, após reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira, 23. "Vamos falar também da necessidade de uma posição mais ativa por parte do Brasil para que na Venezuela se respeite as garantias democráticas."

Após o TSJ reverter a decisão da Assembleia sobre os poderes especiais para Maduro, a MUD decidiu antecipar a campanha pela saída do líder bolivariano e discute qual é a melhor alternativa para a saída do presidente: um referendo revogatório, uma emenda constitucional para reduzir seu mandato ou declarar a vacância da presidência por prevaricação. 

De acordo com Florido, a  MUD também estuda invocar cláusulas democráticas do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para demonstrar o desequilíbrio entre os poderes na Venezuela.  "O TSJ nos tirou três deputados eleitos em dezembro, que prejudicou a nossa maioria, e negou o nosso veto ao decreto de emergência econômica do presidente Maduro", acrescentou. 

Desde a eleição de 6 de dezembro, o Itamaraty tem reiterado às autoridades venezuelanas a necessidade de respeitar a vontade das urnas  e as prerrogativas constitucionais do novo Legislativo do país. Em duas ocasiões, a diplomacia brasileira divulgou comunicados nesse sentido, o último deles, após o TSJ barrar os deputados opositores e tirar a maioria qualificada de dois terços da MUD. 

Para o presidente da comissão venezuelana, há em curso uma mudança de posição do governo brasileiro sobre o governo chavista. "A posição do Itamaraty tem mudado para o bem da democracia venezuelana e da América Latina", ressaltou Florido. "Não só no Brasil,mas muitas chancelarias que antes tinham uma posição distante agora estão mais ativas e isso nos enche de satisfação. Entendemos que o Itamaraty está vendo as coisas dessa forma."


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