Comissão da OAB condena retaliação norte-americana

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) condenou a atitude norte-americana de fazer uma retaliação contra o Afeganistão e outros países islâmicos por causa do ataque terrorista da semana passada ao World Trade Center (WTC), em Nova York, e ao Pentágono, em Washington. "Esperamos que os Estados Unidos não reajam com força excessiva, não promovam uma matança insensata", afirmou hoje o coordenador da comissão, João José Sady, na missa pela paz e em solidariedade às famílias dos mortos no atentado, realizada na Igreja da Consolação, centro de São Paulo.A OAB, junto com as Comissões de Direitos Humanos das Câmara dos Deputados e de São Paulo e Assembléia Legislativa, Sindicato dos Advogados, Movimento pelos Direitos Humanos e Pastoral Universitária, promoveram o evento.Uma nova missa pela paz mundial será organizada pela Arquidiocese de São Paulo, no domingo (23), na Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera."Achamos que o caminho mais correto é o diplomático; uma retaliação pura e simples pode até, de certa forma, atender aos anseios de alguns norte-americanos, mas o que deve acontecer é a localização e prisão dos culpados, respeitando-se a soberania dos povos", concordou o secretário-geral da OAB, Valter Uzzo. "Declarar guerra não é o caminho, nem tem sentido isso, uma vez que o Afeganistão já é um país destruído pelo Taleban", apontou Sady. "Vejo esse atentado como um crime, não como um ato de guerra. Os assassinos devem ser punidos dentro das leis americanas e internacionais", ressaltou ele.A missa de hoje, rezada pelos padres Márcio Romeiro e Thomas de Santana, teve uma liturgia especial, começou às 16h20 e durou pouco mais de uma hora. Ela contou com a presença de, aproximadamente, 250 pessoas. A mensagem no sermão foi um pedido de entendimento, de que a verdade seja apurada e a justiça, feita. Entre os participantes, a dona de casa Maria Lúcia de Queiroz Souza era uma das mais emocionadas. Acompanhada dos filhos, Jennifer, de 6 anos, e João Wilker, de 8, ela chorou durante parte da missa. "Tenho um parente nos Estados Unidos, um tio, que mora a cerca de 200 quilômetros de Nova York. Ele tinha um trabalho na cidade no dia do atentado e estou preocupada", contou.Maria Lúcia levou uma faixa, que pôs num dos primeiros bancos da igreja, com os dizeres "Terrorista quer guerra, nós queremos a paz. I love USA". Um dos filhos dela estava com uma bandeira brasileira enrolada na cabeça, enquanto o outro tinha uma pequena faixa reproduzindo a bandeira norte-americana, além de bottons pregados nas roupas com bandeiras das duas nacionalidades. Se pudesse falar com o presidente norte-americano, George W. Bush, ela pediria a ele que resolvesse a questão de outra maneira. "Não pode deixar do jeito que está, mas eles devem resolver isso sem mais violência, sem mais mortes", disse.

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