Comissão denuncia mortes e agressões em Oaxaca

A comissão internacional de observadores dos direitos humanos disse neste sábado que no conflito de Oaxaca houve pelo menos 23 mortes e dez agressões, tanto físicas como sexuais, contra mulheres.A Comissão Civil Internacional de Observação pelos Direitos Humanos (CCIDH), encabeçada pelo espanhol Ignacio García, apresentou neste sábado na capital mexicana o relatório preliminar sobre as violações às garantias individuais de civis, professores e ativistas da Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO).A Comissão considera que os fatos ocorridos em Oaxaca estão ligados a uma estratégia jurídica, policial e militar cujo principal objetivo é conseguir o controle e o amedrontamento da população civil em zonas onde se desenvolvem processos de organização cidadã, assegurou García.O escritor mexicano Carlos Monsivais, que participou da apresentação do relatório, condenou as agressões aos cidadãos e representantes dos meios de comunicação. "Não podemos permitir em nome de um processo democrático que seviolem os direitos de outras pessoas", disse Monsivais.O escritor assegurou também que a solução do conflito em Oaxaca "depende do estabelecimento de um processo de justiça". O conflito político social, que começou com um protesto sindical, agravou-se depois que o governador do estado, Ulises Ruíz, ordenou um despejo violento em 14 de junho do ano passado."O balanço de mortes documentadas pela CCIDH possui provisoriamente um número total de 23 pessoas identificadas (...) e, além disso, existem outras não identificadas", assinalou García durante a leitura do relatório. O chefe da CCIDH disse também que aconteceram diversas agressões verbais, físicas e sexuais a mulheres.A comissão, integrada por representantes de oito países da Europa, Estados Unidos e Canadá, entre outros, entregará nos próximos dias ao Governo mexicano e ao Parlamento Europeu as conclusões sobre as violações aos direitos humanos durante o conflito.

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