Comissão desiste de dar prêmio alemão de direitos humanos a Putin

Decisão de premiar o premiê russo, anunciada na última semana, foi fortemente criticada.

BBC Brasil, BBC

16 de julho de 2011 | 19h39

Os organizadores de um importante prêmio alemão de direitos humanos anunciaram neste sábado que desistiram de premiar o ex-presidente russo e atual primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, depois de receber fortes críticas pela decisão.

O Prêmio Quadriga, batizado em homenagem à estátua localizada no alto do Portão de Brandemburgo, em Berlim, é dado anualmente no aniversário da reunificação alemã e é "dedicado a todos aqueles cuja coragem derruba muros e cujo comprometimento constroi pontes".

O anúncio da premiação a Putin, feito na última semana, foi recebido com raiva por seus críticos. Eles afirmam que a decisão transformou o prêmio em um "escárnio".

Os organizadores do Quadriga anunciaram neste sábado que retiravam o prêmio de Putin com "grande pesar", citando "críticas em massa na mídia e no mundo político" devido à sua escolha.

"A pressão crescente estava se tornando cada vez mais insustentável e arriscando a aumentar mais ainda", disseram os organizadores, em um comunicado.

A comissão decidiu que não haverá premiação em 2011, e que ocorrerá uma avaliação sobre o que fazer no próximo ano.

Relação russo-alemã

Putin seria reconhecido, segundo os organizadores, por seu "serviço para a confiança e a estabilidade da relação russo-alemã".

Os críticos de Putin, no entanto, dizem que, enquanto foi presidente russo, entre 2000 e 2008, o ex-chefe da KGB supervisionou políticas opressivas de governo e desvios das liberdades civis.

O comissário da Alemanha para direitos humanos, Markus Loening, chegou a dizer que colocar Putin ao lado do ex-presidente checo Vaclav Havel e do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev (ambos vencedores do Quadriga) era algo "francamente cinico" e que desvalorizava o prêmio.

A escolha de Putin fez com que o vencedor do Quadriga em 2010, o artista dinamarquês Olafur Eliasson, devolvesse o seu prêmio.

Já Vaclav Havel ameaçou devolver o seu Quadriga, recebido em 2009, em protesto ao anúncio da premiação ao líder russo.

Neste sábado, uma porta-voz de Havel disse que, na opinião do ex-presidente checo, a desistência em premiar Putin era algo "muito sábio".

Ela afirmou que o Quadriga deveria ser dado a pessoas que "dedicaram suas vidas à proteção dos direitos humanos e das liberdades, e promovendo a democracia".

A porta-voz de Havel citou o dissidente chinês Liu Xiaobo, o ativista russo Sergei Kovalov e a jornalista russa Anna Politkovskaya (morta a tiros em 2006) como exemplos de pessoas que mereceriam o prêmio.

Um porta-voz do premiê russo afirmou que a polêmica não abala a relação entre o seu país e a Alemanha, e que Moscou "trata com respeito qualquer decisão desta organização".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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