Comissão divulgará posição de Olmert sobre guerra no Líbano

O depoimento do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, à comissão de inquérito sobre a guerra do Líbano será divulgado nos próximos dias, antes das conclusões preliminares da investigação que pode determinar o futuro político do impopular governante. Segundo fontes do governo, a chamada Comissão Winograd deve tornar pública até 2 de abril a transcrição do depoimento sigiloso dado em fevereiro por Olmert. Essa comissão, nomeada pelo próprio governo, examina a forma como Olmert, seu gabinete e a cúpula militar comandaram a guerra de meados de 2006 contra a guerrilha libanesa Hezbollah, um confronto que terminou sem vencedores, o que frustrou muitos israelenses. Os depoimentos do ministro da Defesa, Amir Peretz, e do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Dan Halutz, que deixou o cargo devido às repercussões negativas do conflito, também devem ser divulgados, segundo fontes oficiais. Censores militares poderão eliminar trechos. Na semana passada, a comissão anunciou que divulgará seu relatório preliminar sobre a guerra na segunda quinzena de abril, já com "conclusões" sobre a atuação de Olmert, Peretz e Halutz. Há especulações de que o relatório será politicamente fatal para o premiê e o ministro da Defesa, que perderam muito de sua popularidade por não terem conseguido vencer o Hezbollah na guerra, encerrada em agosto com um cessar-fogo e o envio de tropas da ONU. Os dois líderes dizem que a guerra, na qual o Hezbollah disparou 4.000 foguetes contra Israel, conseguiu expulsar os guerrilheiros xiitas para longe da fronteira do Líbano com Israel. O conflito devastou grande parte do Líbano. Em audiência há algumas semanas, a Suprema Corte de Israel aceitou uma petição de um parlamentar de esquerda que solicitava a publicação dos depoimentos de Olmert, Peretz e Halutz. O anúncio de um prazo para tal divulgação ocorreu depois de o deputado se queixar de que a comissão não estava cumprindo a ordem judicial. Em discurso na semana passada, Olmert admitiu ser "um primeiro-ministro impopular", como mostram as pesquisas - uma delas, neste mês, revelou que apenas 3 por cento dos israelenses votariam pela sua reeleição. As eleições gerais estão previstas apenas para 2010, mas podem ser antecipadas.

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