Comissão diz que arcebispo de Varsóvia foi espião comunista

Uma comissão de investigação da Igreja Católica da Polônia divulgou um comunicado afirmando que o novo arcebispo de Varsóvia, monsenhor Stanislaw Wielgus, de 67 anos, colaborou com a polícia secreta do governo comunista. Wielgus foi nomeado pelo papa Bento XVI novo arcebispo da capital polonesa, e tomou posse da arquidiocese de Varsóvia na tarde de sexta. No domingo, ele fará sua entrada oficial na catedral, anunciou a Rádio Vaticana polonesa. O professor Andrzej Paczkowski, após uma investigação realizada junto a outros colaboradores, teve a confirmação ontem de que o prelado colaborou com os serviços secretos poloneses (SB) durante o governo comunista. "É certo que monsenhor Wielgus colaborou com os SB", disse Paczkowski, segundo quem, os documentos encontrados em forma de microfilme no Instituto de Memória Nacional, que custodia os arquivos secretos do Estado, são autênticos. Segundo o sacerdote Jozef Kloch, porta-voz da comissão histórica do episcopado polonês, que analisou paralelamente nestes dias os arquivos, os documentos que se referem ao monsenhor Wielgus foram encontrados e entregues ao interessado para que "em conformidade com a regra ´audiatur et altera pars´, tenha a possibilidade de comentá-los antes da publicação". Wielgus, por sua vez, explicou que o motivo de seus contatos "com os serviços do regime comunista na Polônia" era as viagens ao exterior que desejava fazer para "continuar suas pesquisas científicas". Em uma declaração difundida pela Rádio Vaticana polonesa, o bispo afirmou: "não quero me justificar. Sei que não devia ter nenhuma relação com os serviços do regime comunista na Polônia. Lamento muito ter realizado viagens fora da Polônia, as quais eram o motivo desses contatos. Me parecia nessa época ter que continuar minha pesquisas científicas importantes e adquirir uma formação pelo bem da Igreja". Monsenhor Wielgus, segundo a Rádio Vaticana, "destacou que no material encontrado no Instituto da Memória Nacional contém muitas informações falsas". As 68 páginas de documentos sobre Wielgus foram publicadas integralmente na quinta-feira pelo site da Gazeta Polska, jornal que há duas semanas lançou suspeitas sobre a suposta colaboração do novo arcebispo de Varsóvia com os serviços secretos.

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