Comissão diz que empresas tomaram 'decisões ruins' em vazamento no Golfo

Grupo que investiga desastre para Casa Branca diz que empresas não tinham 'cultura de segurança'.

BBC Brasil, BBC

09 de novembro de 2010 | 18h21

'Decisões ruins' resultaram em acidente, diz chefe de comissão

A comissão do governo americano que apura o vazamento de petróleo no Golfo do México afirmou nesta terça-feira que as três empresas envolvidas na catástrofe ambiental não tinham "cultura de segurança" e tomaram uma série de "decisões ruins" relacionadas ao caso.

"Aparentemente não havia uma cultura de segurança (no poço). BP, Halliburton e Transocean precisam de uma reforma da cabeça aos pés", disse William Reilly, copresidente da comissão montada pela Casa Branca para apurar o caso.

A explosão da plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril, resultou na morte de 11 pessoas, no vazamento de cerca de 4 milhões de barris de petróleo e no maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

A petrolífera BP era a operadora do poço, e Halliburton e Transocean eram suas parceiras na exploração.

Neste segundo dia de audiência da comissão, Reilly disse que uma "cultura de complacência" e uma série de "decisões ruins" nas três empresas resultaram no acidente.

Ele também deu a entender que as empresas se apressaram demais para concluir a exploração do poço.

A comissão havia dito que o cimento usado para selar o poço pode ter contribuído para causar a explosão e que as companhias envolvidas tinham feito testes e notado que o cimento estava instável.

Culpa

A fala de Reilly nesta terça contrasta com as declarações, na véspera, do advogado-chefe da comissão, Fred Bartlit, que dissera não ter encontrado provas de que a BP tomou decisões arriscadas ou "sacrificou preocupações de segurança" com o objetivo de economizar dinheiro.

A comissão estatal, formada por sete pessoas, foi incumbida pelo presidente Barack Obama de investigar as causas do acidente. Suas conclusões e recomendações são esperadas para janeiro.

O correspondente da BBC em Washington Paul Adams relata que ainda é cedo para que qualquer envolvido no vazamento sinta que está livre de culpa.

Também nesta terça, o ex-executivo-chefe da BP Tony Hayward admitiu, em entrevista à BBC, que a petrolífera não estava "preparada" para lidar com o vazamento e com o "frenesi midiático" que se seguiu.

"O plano de contingência da BP era inadequado. Era feito por nós no dia a dia", disse o executivo. "Fizemos uma engenharia extraordinária, mas (diante da imprensa) tudo parecia como um descuido e incompetência."

Hayward, que ficou famoso por ter dito que queria sua "vida de volta" enquanto lidava com o vazamento, deixou o comando da BP em outubro.

O poço danificado foi definitivamente selado em setembro.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.