Gildo Junior/EFE
Gildo Junior/EFE

Comissão do Senado aprova convite a Ernesto Araújo para explicar visita de Pompeo a Roraima

Visita do secretário de Estado americano já havia sido questionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, na sexta-feira

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 11h48

BRASÍLIA - Após uma tentativa de barrar a votação de 33 indicações do presidente Jair Bolsonaro para embaixadas brasileiras, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta segunda-feira, 21, um convite para o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, esclarecer a visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a Roraima, na última sexta-feira, 18. 

Em nota divulgada no mesmo dia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a visita, feita a 46 dias da eleição americana.

Nas três horas em que esteve em Boa Vista, ao lado de Araújo, Pompeo conheceu as instalações da Operação Acolhida, que recebe imigrantes venezuelanos, e endureceu o discurso contra o presidente Nicolás Maduro, a quem chamou de "narcotraficante". Segundo Maia,  a recepção a Pompeu "afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa".

De acordo com integrantes da comissão do Senado, Araújo já aceitou o convite e participará de uma audiência pública presencial do colegiado na próxima quinta-feira, 23, às 10 horas.

O convite foi apresentado pelo senador Telmário Mota (PROS-RR), que ameaçava barrar as sabatinas marcadas para esta segunda-feira, 21, em função da visita do secretário norte-americano.

O motivo da viagem de Pompeo foi pressionar o governo de Maduro e demonstrar o alinhamento dos EUA com os países vizinhos da Venezuela. Em Boa Vista, Pompeo se referiu a Maduro como “traficante de drogas”, lembrando as acusações que os EUA fizeram contra o chavista em março.

Mais cedo, ao ser questionado sobre o assunto, o vice-presidente Hamilton Mourão minimizou as críticas em relação à visita do americano.  "Eu respeito as críticas das pessoas, dos ex-chanceleres, do presidente da Câmara, mas eu não vi nada demais nisso aí", disse Mourão ao chegar no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 21. "Nós temos um alinhamento com os Estados Unidos desde a época da nossa independência", afirmou o vice-presidente.

Segundo Mourão, Pompeo foi visitar uma operação do Brasil realizada pelo Exército para acolher refugiados venezuelanos. Para o vice, a visita de Pompeo não traz nenhuma vantagem para o presidente Donald Trump na corrida eleitoral dos EUA.

"A campanha política deles tem que ser feita lá dentro dos Estados Unidos. Acho que isso (fazer a relação entre uma coisa e outra) é desconhecer os Estados Unidos e até não respeitar o povo americano, como se o povo americano fosse gado", declarou o vice-presidente brasileiro.

Após a aprovação do convite, a comissão do Senado analisa nesta segunda-feira a indicação de embaixadores feitas por Bolsonaro que vão atuar nas representações brasileiras no exterior. As nomeações dependem de aprovação do Senado. Depois da comissão, ainda será necessária a votação pelo plenário, o que deve ocorrer até sexta-feira, 25.

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