Comissão do Senado aprova indicado de Bush para direção da CIA

A Comissão de Inteligência do Senado dos EUA aprovou nesta terça-feira por 12 votos a favor e 3 contra a nomeação do brigadeiro Michael Hayden, de 61 anos, como novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA).A decisão deve ser definitivamente confirmada pelo plenário da Casa ainda nesta semana, segundo estimativa do presidente da comissão, o republicano Pat Roberts. Os republicanos têm maioria no Senado, o que assegura a confirmação do brigadeiro na votação do plenário. Hayden deve substituir Porter Goss, que se demitiu em meio a um profundo remanejamento de altos funcionários do Executivo.Entre 1999 e 2005, Hayden comandou a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), entidade responsável por executar o programa de escutas aprovado pela Casa Branca após os atentados de 11 de setembro de 2001.Depois de dirigir a NSA, Hayden passou a ser o braço direito do diretor do organismo criado após os ataques de 11 de Setembro para coordenar as tarefas de todas as agências de segurança e inteligência dos EUA, John Negroponte. Hayden se especializou em espionagem eletrônica durante o período da guerra fria.PolêmicaA designação de Hayden pelo presidente americano, George W. Bush, causou polêmica por tratar-se de um militar da ativa e por seu envolvimento com o programa de monitoramento de telefonemas de cidadãos americanos do governo. A polêmica aumentou ainda mais depois que o jornal USA Today informou, há alguns dias, que a NSA tinha milhares de informações de ligações entre pessoas físicas e empresas nos EUA, reunindo assim uma enorme base de dados com o propósito de detectar ameaças terroristas. Segundo o jornal americano, a NSA contou com a colaboração de três empresas de telefonia: Bellsouth, Verizon e AT&T.Os senadores democratas Russ Feingold, Ron Wyden e Evan Bayh votaram contra a nomeação. "Depois de obter, na semana passada, mais informações sobre o programa de espionagem telefônica, fiquei mais convencido do que nunca de que ele é totalmente ilegal", disse Feingold. "Nosso país precisa de um diretor da CIA que se dedique a combater vigorosamente o terrorismo sem violar a lei nem afetar o direito dos cidadãos americanos.", acrescentou.No dia 18 de maio, Hayden foi sabatinado pelos senadores da Comissão de Inteligência do Senado numa sessão a portas fechadas que durou mais de sete horas. Ele defendeu a legalidade do programa de escutas e citou suas desavenças com o chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld.Sem hesitar, o militar afirmou que a intimidade dos cidadãos americanos foi considerada "no programa de escutas e em tudo o que fizermos".Hayden disse também que decidiu levar adiante o programa em outubro de 2001, após debates internos sobre o que a NSA poderia fazer para aumentar a segurança. Ele também prometeu promover reformas na CIA, alvo de críticas pelas falhas que permitiram os atentados de 11 de Setembro.

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