Comissão do Senado aprova intimação de assessores de Bush

Uma comissão do Senado dos Estados Unidos autorizou nesta quinta-feira, 22, a intimação de Karl Rove, principal conselheiro político do presidente George w. Bush, e de outros ex-assessores da Casa Branca para que sejam interrogados sobre a demissão de oito procuradores federais em dezembro. A votação segue uma decisão tomada no dia anterior pela Câmara dos Representantes (deputados). Apesar das divisões sobre a necessidade de se apertar o cerco a políticos próximos a Bush envolvidos no escândalo, os democratas conseguiram ver as intimações aprovadas pela Comissão Judiciária do Senado em votação aberta. Os republicanos pediram moderação, mas não conseguiram margem para barrar a medida. A decisão veio um dia depois de uma subcomissão judiciária da Câmara ter aprovado as intimações. Ainda assim, as duas ainda não foram expedidas.Na terça-feira, a Casa Branca havia oferecido conceder os depoimentos, desde que estes ocorressem a portas fechadas e que os assessores não fossem obrigados a prestar juramento. Os democratas rejeitaram a oferta.Após a aprovação das intimações na quarta-feira, 21, a administração reagiu ameaçando utilizar uma prerrogativa constitucional denominada "privilégio executivo" para barrar os depoimentos. Caso isso aconteça, o Executivo e o Legislativo entrariam em uma batalha judicial que seria decidida apenas na Suprema Corte. O escândalo foi desencadeado há algumas semanas, depois de vir à tona que a Casa Branca articulou a demissão dos oito procuradores com o secretário de Justiça americano, Alberto Gonzales. Embora o presidente tenha a prerrogativa de demitir os funcionários, a suspeita é de que a decisão tenha tido motivações políticas. Segundo denúncias, os procuradores demitidos apuravam casos que poderiam comprometer a administração. Poder de barganhaNesta quinta-feira, os democratas disseram que a votação do Senado lhes dariam mais poder de barganha nas negociações com a Casa Branca. "Estamos autorizando as intimações, mas não expedindo-as", lembrou o senador democrata Charles Schumer. "Isso apenas nos dará mais força para chegar ao fundo (da polêmica)."Para os republicanos, entretanto, as intimações foram prematuras. "Eu aconselhei meus colegas, tanto democratas como republicanos, para trabalharem duro para evitar um impasse. Nós não precisamos de um confronto constitucional", disse o senador republicano Arlen Specter, referindo-se à possibilidade de a Casa Branca apelar para o uso do privilégio executivo.Lutando por permanecer no cargo em meio ao furor gerado pelo escândalo dos promotores, Gonzales disse que irá cooperar com o Congresso no inquérito. "Nenhum procurador americano foi despedido por razões impróprias", disse ele.A comissão do Senado votou para aprovar intimações para Rove, a ex-conselheira jurídica da Casa Branca Harriet Miers e seu vice William Kelley. Texto ampliado às 18h20

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