Comissão do Senado dos EUA aprova juíza hispânica na Suprema Corte

Decisão abre caminho para Sonia Sotomayor ser 1ª hispânica no principal tribunal do país.

Bruno Garcez, BBC

28 de julho de 2009 | 15h00

A juíza Sonia Sotomayor, indicada pelo presidente Barack Obama para uma vaga na Suprema Corte dos Estados Unidos, teve seu nome aprovado nesta terça-feira pelo Comitê Judiciário do Senado americano, por 13 votos a seis.

A aprovação representa um importante passo para que Sotomayor se torne a primeira hispânica a conquistar uma vaga na instância máxima do Judiciário americano.

Na próxima semana, o nome da juíza deve ser submetido ao voto de todos os representantes do Senado, e a expectativa é de que ele seja confirmado.

Apenas um representante da oposição republicana, o senador Lindsay Graham, votou a favor da indicação de Sotomayor.

O Senado é dominado pelo Partido Democrata, de Barack Obama, que tem sido unânime na aprovação da juíza indicada pelo presidente americano.

A base conservadora do Partido Republicano, por outro lado, se opôs com veemência à indicação da juíza, por julgar que Sotomayor se opõe a algumas das "bandeiras" republicanas - como o direito de portar armas - e que algumas de suas decisões teriam sido motivadas por sua origem hispânica.

Polêmica

Uma declaração feita por Sotomayor há alguns anos teria contribuído para o estigma.

Mas, durante a sabatina no Senado para a confirmação de seu nome, a juíza afirmou não ter sido feliz ao comentar, no passado, que "uma mulher latina sábia, com a riqueza de suas experiências, poderia, com mais frequência, chegar a uma melhor conclusão" do que um juiz branco do sexo masculino.

Na quinta-feira, a National Rifle Association, o principal grupo lobista pró-porte de armas nos Estados Unidos, afirmou que os senadores que votassem por Sotomayor perderiam pontos na avaliação de políticos feita pela entidade.

Hispânicos

A rejeição a Sotomayor, no entanto, poderá custar aos republicanos a perda de votos em um grupo eleitoral cada vez mais importante, a comunidade hispânica.

A juíza, de 55 anos, é uma nova-iorquina de origem porto-riquenha que cresceu em um conjunto habitacional do bairro do Bronx, mas conseguiu superar suas dificuldades financeiras para se tornar uma bem-sucedida advogada e depois magistrada.

Sua indicação foi saudada como uma vitória pela comunidade de origem latina dos Estados Unidos.

Os hispânicos votaram em peso no presidente Barack Obama durante a disputa presidencial, movidos, em boa parte, pela forte campanha contra a imigração ilegal conduzida pela ala direita do Partido Republicano. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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