Comissão do Senado rejeita plano de Bush para o Iraque

Menos de 24 horas depois de pedir uma "chance" para que sua nova estratégia para o Iraque seja posta em prática, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teve sua iniciativa rejeitada por uma comissão bipartidária do Senado americano nesta quarta-feira. Refletindo uma importante mudança no eixo de poder em Washington após a vitória dos democratas nas eleições legislativas de novembro, a Comissão de Relações Exteriores do Senado classificou o plano de Bush de aumentar o número de soldados no Iraque em 21,5 mil homens como "fora do interesse nacional". A medida será enviada agora para o plenário da Casa para uma votação na próxima semana. Com uma aprovação de 12 votos contra 9, a moção, que não é mandatória, poderá convencer o presidente a reconsiderar sua postura. Menos de um dia antes da aprovação da resolução, durante seu discurso sobre o Estado da União, Bush insistiu que não é tarde para modelar os resultados no Iraque com uma nova estratégia. "Peço que vocês dêem uma chance para que funcione", disse o presidente no discurso, na primeira vez em que enfrentou uma Câmara em um Senado controlados pelos democratas. O senador democrata Joseph Biden, presidente da comissão que aprovou a resolução, argumentou que o texto "não é uma tentativa de prejudicar o presidente. É uma tentativa de evitar que o presidente cometa um erro significativo em relação à nossa política no Iraque".Mas não foram apenas os democratas que apoiaram o texto. O republicano Chuck Hagel também estava entre os 12 senadores que endossaram a moção. "É melhor termos muito claro o que iremos fazer, todos nós, antes de colocar mais 22 mil americanos dentro daquela trituradora", disse Hagel. O plenário do Senado deve começar a debater a medida na próxima semana, e Biden disse que espera negociar mudanças no texto para angariar maior apoio dos republicanos.Na Câmara dos Representantes (deputados), os democratas deverão pôr a medida em votação logo após uma eventual aprovação pelo Senado. A guerra do Iraque tem sido uma das maiores pedras no sapato de Bush, cujo partido perdeu a presidência das duas Casas do Congresso para os democratas nas eleições de novembro, após 12 anos de hegemonia. Após quase quatro anos de conflito, mais de 3 mil americanos já morreram no país árabe.

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