Comissão eleitoral atrasa divulgação de apuração na Venezuela

No twitter, oposição reclama da demora e Chávez pede paciência aos venezuelanos

estadão.com.br,

27 de setembro de 2010 | 01h51

CARACAS  - Após seis horas do fechamento dos colégios eleitorais, os venezuelanos esperam os primeiros resultados das eleições legislativas, a serem divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Segundo a comissão, a razão do atraso é de que há uma disputa muito parelha em alguns distritos.

 

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"Paciência, têm cargos que estão sendo muito disputados", disse o diretor do CNE Vicente Diaz, no Twitter.

 

Os cinco diretores do CNE iniciaram uma reunião às 22h (horário local, 21h30 de Brasília) para totalizar os votos dos 23 Estados do país antes de oferecer seu primeiro boletim sobre os resultados das eleições parlamentares.

 

 Dezenas de jornalistas e funcionários esperam na sede do CNE o anúncio dos resultados da rodada de votação.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) protestou via Twitter contra o atraso na apuração. Candidatos do partido reclamaram da demora. "É imperdoável que o CNE não tenha dado os resultados. Já os temos há horas", escreveu a candidata María Corina Machado.

 

Também no microblog, o presidente Hugo Chávez pediu calma aos venezuelanos. "Esperemos e não nos desesperemos (...) Cito Bolívar: Preparem-se que a vitória virá na ponta de vossas lanças", postou o presidente, que também pediu que os resultados sejam respeitados.

Após o fechamento dos colégios eleitorais, Chávez disse que iria receber partidários no palácio de Miraflores. O presidente, no entanto, alertou para que esperem a consolidação dos dados.

"Me falaram que o povo vem a Miraflores. Os espero aqui. Mas cuidado com a consolidação! Que ninguém baixe a guarda", disse.

 

Alto comparecimento

As eleições legislativas na Venezuela tiveram um alto comparecimento, informou neste domingo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). As urnas foram fechadas às 19h30 (horário de Brasília), mas distritos que ainda tiverem filas permanecerão abertos.

De acordo com a vice-presidente do CNE, Sandra Oblitas, todas as denúncias de irregularidades reportadas ao órgão foram resolvidas e não houve incidentes violentos. O balanço geral, segundo ela, é positiva.

"O processo eleitoral transcorreu com alegria, tranquilidade, calma, paz e uma participação muito alta", disse.

Cerca de 17,5 milhões de venezuelanos estiveram aptos a votar nessas eleições. Eles elegerão os novos 165 deputados da Assembleia Nacional. Nas últimas eleições, os antichavistas boicotaram a votação, o que deu ao presidente o controle do Legislativo.

Mudança nas regras

Com a economia e a segurança pública em crise, e unificados sob o partido Mesa da Unidade Democrática, os antichavistas esperam fazer um bom número no Parlamento para impedir que o presidente siga com maioria no Legislativo.

Em janeiro, no entanto, o Conselho Nacional Eleitoral aprovou uma redistribuição de distritos eleitorais que pode favorecer o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), fundado pelo presidente.

Para manter sua base de apoio, o chavismo manipulou o desenho dos distritos de modo que lhe favoreça - ainda que, globalmente, receba um número menor de votos. Distritos dominados pelo governo foram divididos.

Ao mesmo tempo, circunscrições onde a oposição tinha pequena vantagem foram unificadas com regiões vizinhas chavistas. E distritos com maioria de votos opositores foram realinhados para reduzir o número de eleitos - numa região que elegeria dois opositores, apenas um vencerá. A justificativa para as mudanças é aproximar o eleitor de seu domicílio eleitoral.

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Com Efe e Reuters

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