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Comissão eleitoral da Turquia confirma referendo que deu mais poderes a Erdogan

Contagem não oficial do referendo mostrou o 'sim' às mudanças com vitória por 51% a 49%, uma vantagem de 1,4 milhão de votos; oposição diz que até 2,5 milhões de votos foram suspeitos

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2017 | 18h03

ANCARA - A Comissão Eleitoral da Turquia rejeitou petições entregues por três partidos políticos para anular os resultados do referendo constitucional do domingo, o que encerrou uma das últimas opções legais para questionar o voto popular, que ocorreu em meio a denúncias de irregularidades generalizadas.

Em breve comunicado divulgado no fim do horário comercial da quarta-feira (hora local), 19, o Conselho Supremo Eleitoral disse que 10 de seus 11 membros votaram contra as petições, enquanto um deles votou a favor da anulação. Não foram publicados mais detalhes.

A decisão era esperada, já que o diretor do órgão eleitoral havia validado os resultados da votação de domingo, na qual os eleitores foram questionados sobre emendas constitucionais para centralizar Os poderes do governo no escritório do presidente Recep Tayyip Erdogan e radicalmente alterar a democracia turca.

Desde o domingo, partidos de oposição que apoiavam o "não" no referendo acusaram o conselho, conhecido por suas siglas em turco YSK, de ficar indevidamente do lado do Estado durante o processo da eleição.

Os conselhos eleitorais da Turquia são administrados por juízes. Três dos 11 membros do alto conselho eleitoral e os presidentes dos 221 órgãos eleitorais locais foram retirados de seus postos e substituídos desde julho, na reação a uma tentativa de golpe no país. Cerca de um terço de todos os juízes foram afastados ou mesmo presos pelo governo no mesmo período.

A contagem não oficial do referendo mostrou o "sim" às mudanças com vitória por 51% a 49%, uma vantagem de 1,4 milhão de votos. A oposição diz que até 2,5 milhões de votos foram suspeitos.

O presidente do principal partido de oposição, Kemal Kilicdaroglu, disse ao Wall Street Journal na terça-feira que perdeu a fé na imparcialidade do YSK. Seu Partido do Povo Republicano foi um dos três que entraram com pedido de anulação do plebiscito.

As siglas de oposição documentaram várias alegações de fraudes e intimidação pelo país. Além disso, houve críticas após o YSK validar urnas consideradas irregulares, por não estarem com um selo oficial.

Nesta quarta-feira, ocorreram protestos nas ruas contra a decisão. O premiê Binali Yildirim condenou os protestos e os políticos que convocavam essa manifestações. / Dow Jones Newswires

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