Comissão eleitoral declara Lukashenko reeleito na Bielo-Rússia

Presidente está no poder há 16 anos; oposição protesta e entra em conflito com a polícia

Agência Estado

20 de dezembro de 2010 | 09h53

Lukashenko obteve quase 80% dos votos, aponta Comissão Eleitoral.

 

MINSK - O presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, ganhou um quarto mandato presidencial. A Comissão Central Eleitoral informou que Lukashenko obteve 79,67% dos votos na disputa presidencial do domingo, segundo resultados preliminares. O segundo colocado ficou com apenas 2,56% dos votos. O anúncio ocorreu horas após um duro enfrentamento entre a polícia e simpatizantes da oposição que protestavam contra uma suposta fraude eleitoral.

 

Os manifestantes quebraram janelas e portas do edifício, onde também fica a comissão eleitoral, mas foram repelidos pela polícia. Centenas de policiais e oficiais do Ministério do Interior chegaram, em ônibus, e ajudaram a conter o distúrbio. Alguns civis se esconderam em jardins de edifícios próximos, mas acabaram agredidos.

 

Vários dos candidatos oposicionistas foram presos. O principal líder da oposição, Vladimir Neklyayev, foi golpeado e levado à força do hospital onde estava internado por um grupo de homens desconhecidos vestidos com roupa civil, segundo ativistas. Outros dois candidatos foram gravemente agredidos durante os enfrentamentos.

 

As eleições deste ano deram indícios de que o clima político repressivo poderia estar mudando na Bielo-Rússia. Não somente se permitiu que nove candidatos concorressem contra Lukashenko, mas eles tiveram acesso sem precedentes aos meios de comunicação para realizar debates. Mas a situação mudou poucas horas após o fechamento das urnas.

 

Lukashenko está há 16 anos no poder e já foi bastante criticado por abusos contra os direitos humanos e políticas repressivas. Na semana passada, ele se comprometeu a melhorar as relações com os Estados Unidos, já qualificados pelo líder bielo-russo como um inimigo no passado. As informações são da Associated Press.

 

Simpatizantes da oposição foram às ruas de Minsk para protestar.

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