Comissão Européia ajudará países afetados pelas chuvas

O presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, comprometeu-se hoje com a criação de um fundo de "ajuda solidária" para combater as conseqüências das inundações na Alemanha, Áustria, República Checa, Hungria e Eslováquia, causadas pelas chuvas torrenciais que atingiram esses países nas últimas semanas e continuam ameaçando várias cidades históricas alemãs, assim como a capital húngara, Budapeste. O anunciou foi feito hoje durante a chamada "Cúpula dos Inundados", que reuniu os chefes de Estado e de governo dos países centro-europeus mais afetados pelas inundações, que deixaram 105 mortos. "Vamos atuar para demonstrar que existe uma Europa da solidariedade", disse Prodi ao fim da reunião convocada pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder. Segundo as primeiras estimativas do chanceler alemão, o fundo especial poderia chegar em 2003 a cerca de 500 milhões de euros (US$ 495 milhões). Schroeder reconheceu que deverá haver um consenso entre os 15 países membros da União Européia sobre o valor da contribuição. O fundo especial também ajudará nos esforços de reconstrução, que deverá levar vários anos e custar cerca de 20 bilhões de euros (US$ 19,7 bilhões). Não foram fornecidos valores sobre a ajuda imediata que os países da UE oferecerão aos países afetados pelas atuais inundações, mas chegou-se ao consenso durante a reunião de que ela não se limitará a países que já são membros da união, mas também a aqueles que serão integrados nos próximos anos. Ameaças continuam Enquanto as águas do Rio Danúbio subiam com rapidez na Hungria, as autoridades retiraram hoje cerca de 2 mil moradores das áreas ameaçadas pelas inundações em Budapeste. O Rio Danúbio atingiu 8,47 metros na capital hoje à tarde, quebrando o recorde de 8,45 metros de 1965. As autoridades tinham esperança de que a barragem de dez metros de altura agüentasse a força das águas. Inundações recorde continuavam hoje ameaçando cidades históricas na Alemanha, onde 15 pessoas morreram e 27 estão desaparecidas, segundo balanço provisório. Novos diques cederam por causa da pressão das águas, cujo nível continuava crescendo em direção ao norte, na desembocadura do Rio Elba. Um dique cedeu em Torgau, na Saxônia, no leste do país, e a água invadiu a cidade. Seus cerca de 20 mil moradores já haviam sido retirados no sábado. Ao norte, nas imediações de Wittenberg na Saxônia-Anhalt, 40 mil moradores também foram retirados da cidade após a ruptura de um dique. Ainda mais abaixo do Elba, as autoridades da região de Mecklenburg-Vorpommern disseram que deverão retirar cerca de 30 mil pessoas, enquanto o Ministério do Meio Ambiente da localidade central de Hanover indicou que as águas não chegarão à região até meados da semana. Helicópteros transportavam hoje sacos de areia para reforçar as barragens debilitadas pelo aumento dos níveis dos rios na Alemanha e para proteger uma área industrial no povoado de Bitterfeld, leste do país, que abriga 350 indústrias químicas. As autoridades asseguram que a situação é estável, mas a população teme um desastre ambiental caso as águas do Rio Mulde atinjam as fábricas e seus depósitos O nível das águas do Elba baixou sensivelmente rio acima, em especial em Dresden, capital da Saxônia, onde havia atingido 9,4 metros (7,4 metros acima do normal) e batido o recorde de 1845. Na República Checa, onde as inundações deixaram 13 mortos, o nível do Rio Elba baixava principalmente na região da Boêmia do Norte, mas centenas de milhares de pessoas continuavam sem poder voltar a suas casas.

Agencia Estado,

18 Agosto 2002 | 17h30

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