REUTERS/Tony Gentile/File Photo
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Comissão Europeia e ONU exigem que Itália dê fim ao impasse sobre navio com refugiados

Governo italiano negou permissão de entrada a 629 imigrantes que aguardam a bordo do Aquarius

O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 09h04

SICÍLIA, ITÁLIA - A Comissão Europeia e a agência de refugiados da ONU exigem que a Itália coloque um fim ao impasse envolvendo um navio com 629 imigrantes que busca atracar no país. Neste domingo, 10, o ministro de Interior italiano, Matteo Salvini, recusou a entrada do barco em qualquer porto do país e pediu à ilha de Malta que recebesse a embarcação.

"Estamos falando de pessoas. A prioridade das autoridades italianas e maltesas deveria ser a garantia de tratamento que essas pessoas precisam", afirmou a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, em coletiva de imprensa. "Nós pedimos que todos os envolvidos contribuam com uma rápida resolução e que as pessoas a bordo do Aquarius possam desembarcar em segurança assim que possível."

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O navio Aquarius conta com 629 imigrantes, incluindo 123 menores desacompanhados, 11 crianças e sete mulheres grávidas. O barco está parado em águas internacionais, entre a Itália e a ilha mediterrânea de Malta. Segundo a ONG SOS Mediterrâneo, dentro do navio há alimentos apenas para mais um dia.

"As pessoas estão sendo afetadas, estão sem mantimentos e precisam de ajuda rápida", informou a agência de refugiados da ONU, que exigiu aos governos da Itália e de Malta que deixem de lado as questões políticas envolvendo o registro dos imigrantes. "Questões relacionadas às fronteiras, como quem seria responsável pelos imigrantes e como essa responsabilidade poderia ser dividida entre os países, devem ser tratadas mais tarde", afirmou o enviado especial da agência, Vincent Cochetel.

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No domingo, o governo italiano barrou a entrada do navio em uma nova política linha-dura para impedir a entrada de imigrantes ilegais no país. Nos últimos anos, a Itália recebeu milhares de imigrantes da Líbia que chegavam à Europa pelo mediterrâneo. Pelo Facebook, o ministro de Interior Matteo Salvivi anunciou a nova medida.

“A partir de hoje, a Itália começa a dizer ‘não’ ao tráfico de seres humanos, ‘não’ ao negócio da imigração clandestina”, escreveu Salvini, que também é líder da Liga, o partido de extrema direita que se aliou ao populista Movimento 5 Estrelas (M5E) para formar o novo governo do país. 

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Após recusar receber o Aquarius, Salvini enviou um comunicado “urgente” às autoridades de Malta, aliada da Itália, afirmando que o porto “mais seguro” para o navio atracar era o da capital da ilha, Valeta. Segundo o comandante do Aquarius, Malta ofereceu apenas assistência marítima.

Além disso, outra questão enfrentada pelo governo italiano é a lei europeia que define que o registro de imigrantes que buscam asilo deve ser feito no primeiro país que ele chegar. Tanto Itália quanto Malta afirmam que precisariam dividir a responsabilidade dos refugiados com o restante do bloco. //REUTERS, AFP

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