Comissão européia quer ouvir Cheney e Rumsfeld

Funcionários do alto escalão do governo dos Estados Unidos, entre eles o vice-presidente Dick Cheney e o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, poderão ser convocados para testemunhar diante do Parlamento europeu à respeito das investigações sobre prisões secretas supostamente utilizadas pela CIA na Europa, revelou Sarah Ludford, vice-presidente da comissão parlamentar que apura as denúncias. "Não vejo motivo para não convocarmos Donald Rumsfeld ou Dick Cheney. Talvez até Condoleezza Rice (secretária de Estado). Por que não? Estou certa de que eles serão bem recebidos e serão ouvidos com muito interesse", declarou a deputada européia.Entretanto, Ludford, que é membro do Partido Liberal Democrata da Grã-Bretanha, ressalvou que o Parlamento europeu não goza de jurisdição legal para intimá-los. "Não quero ser otimista demais, mas não acho que seria totalmente insensato pensar que eles poderiam vir para nos ver", declarou Ludford em Bruxelas.A comissão parlamentar de inquérito realizou hoje sua primeira reunião, durante a qual foi eleito presidente o deputado conservador português Carlos Coelho. Também foram escolhidos três vice-presidentes, inclusive Ludford.O Parlamento europeu, composto por 732 deputados, chegou a um acordo duas semanas atrás para conduzir sua própria investigação sobre as denúncias de que a CIA, principal serviço secreto americano, teria interrogado supostos membros da rede extremista Al-Qaeda em complexos da era soviética em países do leste europeu. O grupo Human Rights Watch (HRW) afirma ter provas circunstanciais de que a CIA transportou para a Polônia e para a Romênia supostos membros da Al-Qaeda capturados no Afeganistão. Tanto Varsóvia quanto Bucareste negam as acusações.Prisões secretas em solo europeu e o chamado programa de rendição extraordinária - por meio do qual os EUA teriam removido supostos criminosos e suspeitos de "terrorismo" de seus países de origem e empregado métodos não convencionais de interrogatório - podem representar uma violação dos tratados de direitos humanos aos quais os 25 países da UE estão atrelados.O trabalho da comissão parlamentar européia é determinar, num prazo de 120 dias, se a CIA ou outras agências governamentais dos EUA ou de outros países promoveram seqüestros, rendições extraordinárias, detenções em locais secretos e tortura de prisioneiros dentro de países da UE ou se usaram os países do bloco para a transferência de prisioneiros.

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