Comissão paquistanesa descarta eleições legislativas em janeiro

Órgão usa revolta gerada por morte de Benazir para justificar decisão; oposição pede respeito ao cronograma

REUTERS

01 de janeiro de 2008 | 11h06

As autoridades eleitorais paquistanesas decidiram "a princípio" adiar a eleição marcada para o próximo dia 8, depois que o assassinato de Benazir Bhutto, na semana passada, provocou grande turbulência neste país nuclearizado. A decisão final, no entato, ficará para esta quarta-feira, 2. A Comissão Eleitoral disse que terá que consultar os partidos políticos antes de anunciar uma nova data para a eleição. O assassinato da líder da oposição, na quinta-feira, 27, desencadeou violência e revolta contra o presidente Pervez Musharraf em todo o país, lançando dúvidas quanto à estabilidade do Paquistão e à transição democrática no país, aliado de primeira linha dos EUA na luta contra o terrorismo. Os mortos na violência que se seguiu ao assassinato de Bhutto chegaram a 47 na segunda-feira, mas na terça-feira a situação no país foi de relativa calma. O partido de Bhutto, o PPP (Partido do Povo do Paquistão), que pode esperar grande número de votos por solidariedade após o assassinato de sua líder, e o outro principal partido de oposição, chefiado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, querem que a eleição seja realizada conforme o previsto. "Cabe ao povo do Paquistão escolher seu futuro, e o momento é agora", disseram em comunicado conjunto Nawaz Sharif e o viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, hoje co-presidente do PPP ao lado do filho de 19 anos do casal, Bilawal. "As eleições de 8 de janeiro precisam acontecer dentro do cronograma. Isso será não apenas uma homenagem à memória de Benazir Bhutto, mas também, o que é ainda mais importante, a reafirmação da causa da democracia pela qual ela morreu", disseram. Um representante da Comissão Eleitoral, Kanwar Dilshad, disse a jornalistas na terça-feira que "a princípio" a eleição será adiada e que a nova data para sua realização será anunciada na quarta-feira. (Por Zeeshan Haider)

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