Comissão vai fazer campanha contra extradição de Battisti

Apesar da vontade em ajudar, o parlamentar Fernando Gabeira (PV-RJ) e os exilados políticos italianos no Rio, reunidos no Comitê de Apoio aos Refugiados Políticos (Carp), não conseguiram qualquer contato com o escritor italiano Cesare Battisti. Eles apuraram apenas que o italiano foi preso por conta de escutas telefônicas feitas na França e Itália."Ele relaxou e achou que poderia ligar para os amigos. Vários deles estavam com os telefones grampeados e a polícia descobriu facilmente onde ele estava", afirmou o italiano Luciano Pessina, de 47 anos, acusado pelo governo italiano em 1996 de ser ex-integrante das Brigadas Vermelhas. Preso em agosto daquele ano, a vitoriosa campanha contra sua extradição mobilizou vários intelectuais e artistas brasileiros, entre eles Chico Buarque.Proprietário do conceituado restaurante Osteria dell´Angolo, no Leblon, na zona sul do Rio, e ativista do Carp, Pessina estranhou que Battisti não tenha entrado em contato com os outros italianos refugiados no Brasil nos últimos dois anos. Se o isolamento do suposto terrorista desde 2004 é um mistério, os motivos da escolha do Rio como refúgio são claros para Pessina."Ele deve saber do meu caso e dos outros dois italianos que não foram extraditados. O Brasil possui uma legislação avançada e as autoridades sabem que éramos julgados em processos suspeitos, sem direito sequer a defesa", disse Pessina referindo-se aos casos de Achille Lollo, em 1993, e de Pietro Mancini, em 2005. Ambos eram acusados de participação em assassinatos nos anos 70 que conseguiram permancer no país.Mancini foi nesta segunda-feira, 19, à sede da Polícia Federal no Rio tentar contato com Battisti e nada conseguiu. "Vim conhecer ele, reviver um pouco minha história, dar apoio e ajudar a montar um comitê de defesa para que Battisti não seja extraditado, enfim, a solidariedade básica", declarou.Em 2005, após viver por 28 anos no Rio onde possui uma produtora de cinema , Mancini foi preso naquele ano pela Interpol, em Botafogo, na zona sul da cidade, mas foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não acredita na extradição de Battisti. "O Brasil já se manifestou contra este tipo de coisa". Achille Lollo, que trabalha na imprensa alternativa carioca, não quis dar declarações sobre o caso Battisti.O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) disse ao Estado acreditar que a prisão de Battisti possa estar relacionada à disputa eleitoral na França e seria uma jogada do atual ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, principal presidenciável da direita. Battisti, disse Gabeira, é muito conhecido na França e já recebeu o título de Cidadão Benemérito de Paris. "Há elementos. Ele (Sarkozy) já fez uma coisa dessas em outra eleição e há denúncias da esquerda francesa", disse Gabeira. O deputado espera se encontrar com os advogados do italiano nesta terça-feira, 20.

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