Comissário da ONU discute detenções em Guantánamo

O alto comissário de Direitos Humanos da ONU, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, reuniu-se com o presidente americano, George W. Bush, para discutir a situação dos suspeitos terroristas detidos na base de Guantánamo, em Cuba, disse um porta-voz das Nações Unidas. Vieira de Mello teve uma reunião "positiva e aberta" com Bush em Washington, na quinta-feira, disse o porta-voz do Alto Comissariado, José Luiz Díaz."O Alto Comissário discutiu o tema dos prisioneiros da atual ofensiva contra o terrorismo... em Guantánamo e outros lugares", disse Díaz aos repórteres.Díaz acrescentou que o alto comissário brasileiro recebeu "garantias do presidente Bush de que os EUA não usaram nem usarão de tortura no interrogatório de prisioneiros". Em seguida, Vieira de Mello se reuniu com a assessora presidencial de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, com quem "discutiu em detalhes os temas já abordados", disse Díaz. Entre os temas, foi discutida a questão da tortura dos prisioneiros. Os prisioneiros em Guantánamo foram capturados durante a campanha militar dos EUA no Afeganistão, mas Washington se negou a atribuir-lhes o status de prisioneiros de guerra - que lhes daria garantias pela Convenção de Genebra -, preferindo denominá-los de combatentes inimigos. Tal decisão foi criticada pelos grupos de direitos humanos e por muitos governos. Esses prisioneiros não foram formalmente acusados de delitos, não podem receber visitas e não têm direito a advogados de defesa, nem sabem por quanto tempo continuarão detidos. Anteriormente, Vieira de Mello já havia pedido às autoridades americanas que levassem os detidos a julgamento ou os entregassem à Justiça de seus próprios países. Ele disse que os governos têm o direito de lutar contra o terrorismo mas precisam fazer mais para proteger os direitos humanos durante a guerra. Após uma série de suicídios entre os detidos em Guantánamo, o grupo de direitos humanos Anistia Internacional pediu a abertura de um inquérito sobre se os métodos usados pelos EUA durante os interrogatórios havia influenciado a ação dos prisioneiros.

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