Yuri Kochetkov/EFE
Yuri Kochetkov/EFE

Arábia Saudita prende 11 príncipes e 4 ministros por corrupção

Um dos homens mais ricos do mundo, o príncipe Alwaleed bin Talal também foi preso, além de 30 ex-ministros. Prisões consolidam poder do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman

O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2017 | 23h23

RIAD - Autoridades da Arábia Saudita prenderam um bilionário investidor global e o chefe da Guarda Nacional como parte de uma ação de combate à corrupção, consolidando o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman no poder.

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O bilionário Alwaleed bin Talal, sobrinho do rei saudita e dono da firma de investimentos Kingdom Holding, estava entre os 11 príncipes, quatro ministros e dezenas de ex-ministros detidos, afirmaram neste domingo duas autoridades sauditas.

A ação contra a elite política e empresarial também atingiu o chefe da poderosa Guarda Nacional, o príncipe Miteb bin Abdullah, que foi preso e substituído pelo príncipe Khaled bin Ayyaf.

Isso consolida o controle do rei Salman sobre as instituições de segurança que anteriormente haviam sido lideradas por ramos separados da família.

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A notícia sobre as prisões circulou nas primeiras horas deste domingo, após o rei Salman decretar a criação de um comitê anticorrupção presidido por seu filho favorito de 32 anos, o príncipe Mohammed, que acumulou poder desde que saiu do anonimato há menos de três anos.

O novo órgão recebeu amplos poderes para investigar casos, emitir mandados de prisão, restringir viagens e congelar ativos. “A pátria não existirá a menos que a corrupção seja desarraigada e os corruptos sejam responsabilizados”, diz o decreto real.

Segundo analistas, a ação vai além da corrupção e teria como objetivo remover a potencial oposição ao príncipe Mohammed, que defende uma ambiciosa e polêmica agenda de reformas.

Em setembro, ele anunciou que a proibição do direito de dirigir das mulheres poderia ser revogada, tentando romper décadas de tradição conservadora ao promover entretenimento público e visitas de turistas estrangeiros.

Em relação à política econômica, o príncipe Mohammed cortou os gastos em algumas áreas e planeja uma grande venda de ativos do Estado saudita.

“A repressão mais recente rompe com a tradição de consenso dentro da família dominante cujos funcionamentos internos secretos são equivalentes aos do Kremlin na época da União Soviética”, escreveu James Dorsey, professor sênior da Escola S. Rajaratnam de Estudos Internacionais da Singapura.

“O príncipe Mohammed, em vez de forjar alianças, estende seu controle de ferro para a família dominante, os militares e a Guarda Nacional para combater o que parece ser uma oposição mais ampla na família, bem como as forças armadas para suas reformas e a guerra do Iémen ”, disse Dorsey.

O príncipe herdeiro, de 32 anos, vem tentando atrair mais investimentos internacionais e melhorar a reputação do país como um lugar para negócios. Essas medidas fazem parte de um esforço maior para diversificar a economia e reduzir a dependência das receitas do petróleo, e para acumular mais poder. / AP, REUTERS e EFE

 

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