Comitê denuncia abuso do governo de facto de Honduras

Mesmo que haja um acordo para acabar com a crise política, Honduras terá de enfrentar um passivo de agressões aos direitos humanos que envolve pelo menos 5 assassinatos e 94 presos políticos, além de autoexílios e estupros ocorridos durante os três meses de vigência do governo de facto.

AE, Agencia Estado

07 de outubro de 2009 | 09h17

O Comitê de Parentes de Desaparecidos e Presos Políticos (Cofadeh) acusa as forças de segurança do regime de Roberto Micheletti de adotar a "Operação Silêncio" com o objetivo de eliminar ativistas favoráveis ao retorno do presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe em 28 de junho.

"Um comando das forças de segurança conduz a Operação Silêncio desde que Zelaya foi derrubado", afirmou ao Estado Bertha Oliva, coordenadora-geral do Cofadeh. "Eles prepararam um roteiro da morte", completou, referindo-se a uma lista de opositores que estariam marcados para morrer.

Na sexta-feira, o professor Mário Fidel Contreras, de 50 anos, foi morto com um tiro no rosto quando saía de sua casa, em um bairro de classe média de Tegucigalpa. Os criminosos, que estavam em motocicletas, deixaram um bilhete com advertências à Frente Nacional de Resistência (FNR), movimento aliado a Zelaya do qual Contreras era membro.

Antes de Contreras, mais três professores vinculados à FNR morreram em crimes supostamente cometidos pelas forças de segurança ou por assassinos de aluguel. Félix Murillo López foi morto no dia 17. Ele era protegido da Justiça por ser testemunha do assassinato de outro colega, Roger Vallejo Soriano. O professor Martín Rivera foi a terceira vítima.

O Cofadeh registrou ainda o sequestro e a morte do agricultor Antonio Leiva, líder de uma entidade camponesa e membro da FNR. A polícia e o Exército estão sendo responsabilizados ainda pela morte de Francisco Alvarado durante um conflito com manifestantes pró-Zelaya. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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