Comitê inocenta, mas critica Blair na questão iraquiana

O governo do primeiro-ministro Tony Blair não "esquentou" um dossiê sobre armas iraquianas, mas deveria ter admitido que o regime de Saddam Hussein não oferecia uma ameaça imediata à Grã-Bretanha, concluiu um comitê parlamentar. O Comitê de Inteligência e Segurança afirmou que partes do dossiê publicado em setembro careciam de detalhes sobre o tamanho do arsenal ilícito do Iraque e poderiam confundir o público. Mas o comitê inocentou o escritório de Blair de acusações mais graves, de que teria desconsiderado preocupações de chefes de inteligência e tornado "mais atraente" o documento. Foi o segundo relatório em dois meses que inocenta o escritório de Blair de manipulação de informações de inteligência e, apesar de críticas ao secretário da Defesa Geoff Hoon, parece que o governo irá sobreviver à publicação do relatório sem renúncias. Mas o governo está sob forte pressão para encontrar evidências sobre as armas de destruição em massa iraquianas, e enfrentará novo escrutínio quando um inquérito judicial sobre o aparente suicídio do assessor de armas David Kelly for retomado, na semana que vem. Parlamentares da oposição previram a renúncia de Hoon, criticado no relatório por não ter revelado inicialmente que alguns de seus subordinados estavam preocupados com o dossiê. "Ele sabe que não irá sobreviver além de algumas semanas, porque sabe que tem de ser o bode expiatório", disse o porta-voz do Partido Conservador para assuntos de defesa, Bernard Jenkin.

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