Comitê Nobel 'entrega' prêmio a dissidente chinês e pede sua libertação

Liu Xiaobo está preso e não foi à cerimônia; cadeira vazia mostra 'como prêmio é apropriado'

João Coscelli, do estadão.com.br

10 de dezembro de 2010 | 10h47

Simbólico. Cadeira vazia e retrato de Liu Xiaobo representam sua ausência.

 

ESTOCOLMO - O Comitê do prêmio Nobel da Paz realizou nesta sexta-feira, 10, a cerimônia de entrega da premiação em Estocolmo, na Suécia, sem a presença do laureado, o dissidente chinês Liu Xiaobo, que está preso. O presidente do Comitê, Thorbjoern Jagland, exortou a China a libertá-lo.

 

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Liu, um dos líderes dos protestos da Praça de Tiananmen de 1989 e autor principal da Carta 08, um manifesto pedindo reformas democráticas no país, foi condenado a 11 anos de prisão por subversão do poder do Estado. Sua presença na cerimônia foi representada por uma cadeira vazia, onde foram colocados o diploma e a medalha geralmente entregues ao laureado.

 

Jagland fez um longo discurso, no qual lembrou de outras ocasiões em que os laureados não puderam ir a Oslo, como em 1991, quando a ativista birmanesa Aung San Suu Kyi, então presa pelas autoridades, foi laureada, e no caso do ex-presidente polonês Lech Walesa.

 

Ele reiterou que a concessão do prêmio para Liu não tem o objetivo de criticar a China e disse que "intenção do Comitê Nobel foi mostrar a relação entre os direitos humanos, a democracia e a paz". Pequim criticou o Comitê e a Noruega por conta da decisão e chamou a cerimônia de "farsa ocidental".

 

Jargland pediu a libertação de Liu e afirmou que sua ausência na cerimônia, assim como a reação do governo chinês, mostram que o prêmio era "necessário e apropriado". Ele ainda pediu uma maior abertura do regime chinês. "A China ficará mais forte se seu povo tiver direitos civis. Se a China conseguir se desenvolver economicamente e também socialmente em relação aos direitos humanos, o mundo e o país só têm a ganhar", afirmou.

 

Na ausência de Liu, a atriz norueguesa Liv Ullman leu o discurso que ele pronunciou em seu julgamento há um ano. "Não tenho inimigos e não tenho ódio. Nenhum dos policiais que me monitoraram, prenderam ou interrogaram, nenhum dos promotores que me indiciaram, e nenhum dos juízes que me julgaram é meu inimigo", disse Liu a um tribunal chinês no dia 23 de dezembro de 2009.

 

"Eu, cheio de otimismo, aguardo ansioso pelo advento de uma China livre no futuro. Pois não existe força que possa por fim à busca humana pela liberdade, e a China, no final das contas, será uma nação regida pela lei, onde os direitos humanos serão supremos. A liberdade de expressão é a base dos direitos humanos, a mãe da sociedade, e chave para a verdade. Espero que seja a última vítima na China por exercer meus direitos", diz o discurso.

 

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Contando com a China, 19 países boicotaram a cerimônia. São eles Afeganistão, Argélia, China, Colômbia, Cuba, Egito, Iraque, Irã, Casaquistão, Marrocos, Paquistão, Filipinas, Rússia, Arábia Saudita, Sri Lanka, Sudão, Tunísia, Venezuela e Vietnã.

 

Exposição do dissidente é aberta no dia da cerimônia.

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