Comitê palestino redigirá plataforma para governo de unidade

Representantes das facções palestinas na Faixa de Gaza, entre eles do movimento islâmico Hamas e da organização nacionalista Fatah, decidiram formar um comitê para traçar as linhas da plataforma política de um futuro governo de unidade, e definiram uma agenda de assuntos a serem discutidos. O representante da Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP), Salah Nasser, informou nesta terça-feira - ao fim de uma reunião de quatro horas - que "os líderes das facções e do poder político definiram os assuntos da agenda para o diálogo", que estava estagnado desde o mês passado e que foi retomado na terça-feira. O segundo acordo foi a constituição de um comitê que terá que apresentar nas próximas 48 horas uma minuta sobre a plataforma política que guiará o próximo governo de unidade. A retomada das conversas foi estipulada no domingo passado, em Damasco, pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, líder do Fatah, e pelo secretário-geral e líder máximo político do Hamas, Khaled Mashaal. O diálogo para formar um Governo de unidade com a participação desses dois grandes movimentos está há mais de seis meses entre altos e baixos, e foi suspenso em dezembro passado, quando o presidente Abbas deu por esgotados os esforços para formar uma coalizão e anunciou sua intenção de antecipar as eleições. O anúncio desencadeou violentos confrontos armados entre a milícia do Fatah e os órgãos de segurança da ANP leais a Abbas, de um lado, e uma força "executiva" ou "auxiliar" do Hamas, com cerca de 6.000 homens, de outro. Nasser informou aos jornalistas que a agenda definida pelas facções inclui "a formação de um governo de unidade, a ativação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a democratização social e profissional dos sindicatos de trabalhadores e a formação de uma frente unida de resistência". Os representantes voltarão a se reunir na próxima sexta-feira para debater o programa político proposto pelos membros do comitê para a coalizão que possa surgir. O objetivo do diálogo é a formação de uma nova coalizão de governo que consiga colocar fim a onze meses de um boicote imposto ao governo do Hamas por Israel, Estados Unidos e União Européia (UE). O boicote também conta com a adesão de países doadores da ANP que deixaram de transferir recursos, e com isso o atual governo do Hamas- que está de março do ano passado no poder - não pôde pagar os salários de cerca de 160.000 funcionários públicos. Os motivos do embargo são o fato de o Hamas negar-se a reconhecer a legitimidade de Israel, a respeitar os acordos da ANP com o Estado judeu desde os de Oslo (1993) e a renunciar as armas. "Os representantes retomaram o diálogo e começaram debatendo um programa para o governo de unidade" antes de designar os membros docomitê que redigirá a plataforma, disse Nasser.

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