Bhutan Ministry of Health via The New York Times
Bhutan Ministry of Health via The New York Times

Como a campanha de vacinação do pequeno reino do Butão superou a da maioria dos países

Frascos da vacina Oxford/AstraZeneca chegaram no mês passado de helicóptero e foram distribuídos por profissionais de saúde, que caminharam de aldeia em aldeia pela neve e pelo gelo

The New York Times, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2021 | 15h00

THIMPHU, BUTÃO - Lunana, no Butão, é uma área remota mesmo para os padrões de um reino isolado do Himalaia: cobre uma área com cerca de duas vezes o tamanho da cidade de Nova York, faz fronteira com o extremo oeste da China, inclui lagos glaciais e alguns dos picos mais altos do mundo, e está inacessível de carro. Mesmo assim, a maioria das pessoas que vivem lá já recebeu uma dose da vacina contra o coronavírus.

Frascos da vacina Oxford/AstraZeneca chegaram no mês passado de helicóptero e foram distribuídos por profissionais de saúde, que caminharam de aldeia em aldeia pela neve e pelo gelo. A vacinação prosseguiu nos 13 assentamentos da área, mesmo depois que iaques danificaram algumas das barracas de campanha que os voluntários montaram para os pacientes.

“Fui vacinado primeiro para provar aos meus companheiros que a vacina não causa a morte e é seguro tomar”, disse por telefone Pema, líder de uma aldeia em Lunana que está na casa dos 50 anos e só usa um nome. “Depois disso, todos aqui receberam sua dose.”

A campanha de Lunana é parte de uma silenciosa história de sucesso de vacina em um dos países mais pobres da Ásia. No sábado, o Butão, um reino budista que enfatizou o bem-estar de seus cidadãos sobre a prosperidade nacional, administrou uma primeira dose de vacina a mais de 478 mil pessoas, mais de 60% de sua população. O Ministério da Saúde disse este mês que mais de 93% dos adultos elegíveis receberam suas primeiras vacinas.

A grande maioria das primeiras doses do Butão foi administrada em cerca de 1.200 centros de vacinação durante o período de uma semana entre o fim de março e início de abril. No sábado, a taxa de vacinação do país de 63 doses por 100 pessoas era a sexta maior do mundo, segundo o banco de dados do New York Times.

Essa taxa estava acima das do Reino Unido e dos Estados Unidos, mais de sete vezes a da vizinha Índia e quase seis vezes a média global. O Butão também está à frente de vários outros países geograficamente isolados com pequenas populações, incluindo a Islândia e as Maldivas.

Dasho Dechen Wangmo, ministro da Saúde do Butão, atribuiu seu sucesso à “liderança e orientação” do rei, solidariedade pública, ausência de hesitação vacinal e um sistema de atenção primária à saúde que “nos permitiu levar os serviços ao máximo de partes remotas do país.”

“Por ser um país pequeno com uma população de pouco mais de 750 mil habitantes, uma campanha de vacinação de duas semanas era possível”, disse Dechen Wangmo por e-mail. “Pequenos problemas logísticos foram enfrentados durante a vacinação, mas foram todos administráveis.”

Todas as doses usadas até agora foram doadas pelo governo da Índia, onde o medicamento é conhecido como Covishield e fabricado pelo Serum Institute of India, o maior produtor mundial de vacinas. O governo do Butão disse que planeja administrar as segundas doses cerca de 8 a 12 semanas após a primeira rodada, de acordo com as diretrizes para a vacina AstraZeneca/Oxford.

Will Parks, o representante no Butão da Unicef, a agência das Nações Unidas para as crianças, disse que a primeira rodada foi uma “história de sucesso, não apenas em termos de cobertura, mas também na forma como a campanha de vacinação foi executada coletivamente desde o planejamento até a implementação."

“Envolveu a participação da autoridade máxima à comunidade local”, disse ele.

A campanha contou em parte com um corpo de voluntários, conhecido como Guardiões da Paz, que operam sob a autoridade do rei do Butão, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck. 

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