Richard Drew/ AP
Richard Drew/ AP

Como a variante Ômicron pode arruinar a recuperação da economia global

Falta de previsibilidade trazida pela pandemia, em escala global, tem afetado uma economia ainda frágil, que agora vive em estado de alerta pelo aumento de casos na Europa

Patricia Cohen/ NYT, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 05h00

LONDRES - Marisha Wallace teve de aceitar nesta semana, depois de muito relutar, que suas férias de cinco dias num resort de ski na Suíça estavam arruinadas quando, subitamente, o governo suíço decidiu impor uma quarentena de 10 dias para estrangeiros que estavam no país. 

Com a decisão, ela não podia deixar seu quarto de hotel, nem voltar para Londres no voo que tinha comprado. “É como o mundo é agora. Não é mais possível fazer planos.”

A falta de previsibilidade trazida pela pandemia, em escala global, tem afetado uma economia ainda frágil, que agora vive em estado de alerta pelo aumento de casos na Europa e a chegada da variante Ômicron. 

“Simplesmente não tem como saber o quanto isso vai piorar”, acredita Angel Talavera, chefe de estudos da economia europeia na Oxford Economics. 

A consultoria trabalha com três cenários: um, mais otimista, onde a nova onda de casos não afeta a economia, um, mais pessimista onde o crescimento previsto para 2022 cai pela metade, e um “caminho do meio”, com um impacto moderado. 

A nova leva de restrições na Europa já prejudicou o turismo e a confiança do consumidor europeu. Caso a virulência da ômicron se confirme em estudos científicos, o panorama pode se tornar ainda mais sombrio. 

Um relatório divulgado na quarta-feira pela OCDE mostra que, apesar de o crescimento econômico desigual, o mundo cresceu mais rápido e com mais força do que o previsto com o avanço da vacinação. Apesar disso, o estudo alerta que em economias mais desenvolvidas, essa recuperação pode perder força no ano que vem – e o estudo foi concluído antes mesmo da descoberta da nova variante. “A principal política econômica é vacinar todo mundo”, diz o relatório. 

A esperança de pôr fim à pandemia e o retorno da vida e de uma economia normal tem sido duramente frustrada pelo vírus. Antes mesmo da Ômicron, alguns países europeus, como a Holanda e a Áustria já tinham retornado aos lockdowns diante da hesitação de parte de sua população em aderir à vacina. 

Os trilionários pacotes de ajuda desenhados pelos países mais ricos no começo da pandemia ajudaram a ressuscitar a economia nos EUA e na UE, mas com eles vieram efeitos colaterais indesejados, como escassez de insumos, mão de obra e alta dos preços. Uma nova rodada de ajuda estatal dessa monta é improvável, assim como o fechamento total da economia. 

Nos últimos dias, governos ao redor do mundo reagiram de modo atabalhoado com fechamentos de fronteiras, regras de testagem e obrigatoriedade de máscaras, que podem nublar ainda mais a perspectiva para o próximo ano. 

A combinação disso com o grau variado de risco que as pessoas aceitam correr implica em impactos econômicos muito diferentes, dependendo de onde você está. 

Na França, um festival anual em Nice foi cancelado depois de o governo exigir que o local abrigasse um centro de vacinação. “Estou tentando salvar a empresa e não sei se vou conseguir”, disse Serge Paillon, organizador do evento, que teme prejuízos de até 500 mil euros. “O ano passado foi um desastre e vai começar tudo de novo.”

Na Suíça, o efeito das novas medidas adotadas pelo governo foram imediatas. A taxa de cancelamento de hotéis chegou a 90%. /NYT 

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