Como está Jenin, o local mais sangrento da guerra no Oriente Médio

A situação no campo de refugiados de Jenin, no norte de Cisjordânia, continua gravíssima, após uma semana de ataques do Exército de Israel, na mais violenta batalha desta guerra. Hoje uma emboscada resultou na morte de 13 militares israelenses. Os israelenses mostraram-se surpresos com a determinação da resistência palestina na cidade de Jenin, fechada para testemunhas independentes, sobrevoada por helicópteros Apache.A situação é tão grave que o ministro de Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, esteve hoje na região. O chanceler israelense Shimon Peres disse que os palestinos tentarão mostrar a batalha de Jenin como um "massacre" de civis.A diretora da organização humanitária israelense B´Tselem, Jessica Montel, disse que "ninguém sabe ao certo o número de mortos em Jenin, mas sabemos que há cadáveres abandonados pelas ruas". A organização humanitária palestina Law aponta em 150 o número aproximado de mortos no campo de refugiados.Em Jenin, onde vivem milhares de pessoas, os alimentos acabaram e não há água, mas os palestinos garantem que há homens prontos para combater até as últimas forças. As autoridades militares israelenses impediram hoje o acesso de um comboio da agência das Nações Unidas para ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA, por sua sigla em inglês), denunciou o porta-voz Rene Aquarone. O comboio levava alimentos, produtos de primeira necessidade, tendas e cobertores e foi bloqueado quando chegou ao hospital central da cidade.O Exército de Israel enviou ao local escavadeiras para demolir casas, algumas vezes com os moradores dentro, e detiveram centenas de homens, enviados ao campo militar de Salem, onde passaram dois ou três dias sem receber água nem comida, de acordo com a versão de alguns dos libertados. "São 294 os que chegaram até agora de Salem, a pé, muitos descalços, de diferentes idades", disse Faruk Al-Ahmed, um dentista que tenta ajudar os feridos. "Temos 15 feridos, dois em condições graves que precisam de intervenção cirúrgica. Foram golpeados com fuzis, cassetetes e pontapés".Entre os feridos estavam cinco anciãos que garantiam ter visto os israelenses "executando" homens que foram retirados de suas casas. Mohammed Abdel Latif Mahmud testemunhou a morte do filho de 30 anos com tiros de fuzil. Hamid, um adolescente de 14 anos, contou ter visto oito homens sendo colocados numa fila para em seguida serem assassinados pelos soldados do Exército de Israel. Na casa onde estava o garoto e o irmão Ahmed, três pessoas foram assassinados pelos disparos israelenses.A entrada dos jornalistas na chamada "zona de guerra" está proibida, o que impossibilita uma checagem independente das denúncias. No hospital Al-Razi, em Jenin, o médico Ziad al-Isa não dorme há oito dias porque não há trégua nos bombardeios. A Cruz Vermelha Internacional conseguiu hoje, depois de longas horas de espera, permissão para entregar medicamentos, mesmo em meio ao corte de energia elétrica.No toque de recolher imposto por Israel sobre toda a cidade, as ambulâncias não podem circular, as mulheres chegam a pé aos hospitais, arriscando ser alvo de franco-atiradores. Seis bebês nasceram na cidade nos últimos dias. Há alguns dias, o hospital realizou uma intervenção cirúrgica em um homem ferido por um tiro na cabeça com base nas informações passadas por telefone por um médico australiano que se encontra em Jerusalém, informou Jessica Barry, porta-voz da Cruz Vermelha. O homem ferido sobreviveu à cirurgia, disse o doutor Al-Isa, mas terá de ter uma perna amputada devido a um ferimento provocado por tiros.

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