EFE/ Antonio Silva
EFE/ Antonio Silva

Como está Moçambique após a passagem do ciclone Idai

Veja números do desastre, como a comunidade internacional articula apoios e saiba como ajudar as vítimas que também foram registradas no Zimbábue e em Malauí

João Ker, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 17h53
Atualizado 01 de abril de 2019 | 14h54

A contagem de vítimas do ciclone Idai já chegou a 815 mortos até segunda-feira, 1º, entre Moçambique, Zimbábue e Malauí. Em Beira, cidade do Moçambique que teve 90% de seu território destruído, voluntários da Cruz Vermelha improvisam espaço para tratarem as vítimas da tragédia. De acordo com o diretor nacional de Saúde, Ussein Isse, há também a possibilidade de que o país agora sofra com uma epidemia de cólera.

Abaixo, entenda os principais pontos sobre o que aconteceu em Moçambique após a passagem do ciclone Idai:

O que aconteceu em Moçambique?

Mais de 500 pessoas foram mortas e outras 840 mil tiveram suas vidas afetadas quando o ciclone Idai atingiu Moçambique, em 18 de março. As tempestades e os ventos fortes destruíram casas, pontes, escolas e hospitais, antes de irem em direção ao Zimbábue e ao Malauí. Beira, a segunda maior cidade do país e ponto de concentração da ajuda humanitária enviada à região, teve 90% de seu território destruído.

No Zimbábue, segundo país na rota do ciclone Idai, a contagem de corpos já chegou a 259 vítimas, de acordo com relatório oficial divulgado pela agência EFE. Já no Malauí, que recebeu o ciclone ainda em estado de “tempestade tropical”, as autoridades registraram 56 mortes causadas pela tempestade e pelos ventos fortes.  

Há uma epidemia de cólera em Moçambique?

A epidemia não foi oficialmente declarada, mas nas 24 horas seguintes ao primeiro caso de cólera foi anunciado em Moçambique, outras 139 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Hoje, já são mais de 1.000 pessoas declaradas com cólera na região, com uma vítima fatal. Dos casos decretados, apenas 97 continuam em tratamento, enquanto o restante já recebeu alta, de acordo com Isse. 

As autoridades afirmam que o ciclone Idai destruiu mais de 50 unidades de saúde no país. Mais de mil doses de vacina foram enviadas emergencialmente para a região, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Brasil oferece ajuda humanitária a Moçambique

Em nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro afirmou que irá deslocar dois aviões de transporte Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), com 870 quilos de medicamentos e insumos para Moçambique. Na lista, estão antibióticos, antitérmicos, anti-hipertensivos, ataduras, gazes, luvas, máscaras, seringas, esparadrapos e outros itens de primeiros socorros.

Nesta primeira etapa, irão 20 especialistas em resgate e salvamento da Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de uma equipe com outros 20 membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais. Além disso, o país também deve repassar cerca de R$ 440 mil para a região.

Médicos cubanos estão prestando serviços em Moçambique?

Sim. Em um primeiro momento, Cuba enviou 274 médicos para ajudarem na região de Moçambique. Mais tarde, o governo cubano também destinou um hospital de campanha, com todo o equipamento necessário para a ajuda humanitária, e outros 40 médicos extras.

Quais países enviaram ajuda humanitária para Moçambique?

Além do Brasil, outros países têm deslocado equipes e doações para ajudar as vítimas do ciclone Idai. A China enviou um esquadrão com 65 integrantes e 20 toneladas com suprimentos emergenciais. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que providenciariam cerca de R$ 19,1 milhões em ajudas humanitárias para serem distribuídas entre Moçambique, Zimbábue e Malauí.

A Noruega também se prontificou a ajudar a região com cerca de R$ 2,7 milhões. Um dos primeiros países a anunciarem ajuda humanitária após a passagem do ciclone, o Reino Unido direcionou cerca de R$ 112,2 milhões. A União Europeia enviou R$ 15,3 milhões e o Canadá mandou uma contribuição de R$ 13,7 milhões.

Além da ajuda financeira, alguns países também estão direcionando equipes de resgate para a região. A Angola mandou ambulância, veículos e quatro helicópteros com medicamentos e alimentos, enquanto a África do Sul enviou 80 membros das Forças Armadas e serviços de saúde. Portugal, por sua vez, arrecadou R$ 3,5 milhões através de sua Cruz Vermelha, e irá reforçar a ajuda com peritos e quadros da Força Nacional, dos Bombeiros e do Instituto Nacional de Emergência Médica.

Como ajudar Moçambique?

Algumas ONGs e organizações internacionais estão arrecadando doações online que serão encaminhadas para a região de Moçambique. A Save the Children está aceitando quantias a partir de R$10, com pagamentos por cartão de crédito, PayPal e Google Play.

A Médicos Sem Fronteiras recolhe contribuições no mesmo valor, além de oferecer kits específicos com 27 filtros estéreis para transfusão sanguínea (R$ 60), comprimidos de cloro para purificar água (R$ 89) ou litros de soro (R$ 318). O pagamento pode ser feito por cartão, boleto ou PayPal.

Em uma seção do site dedicada especialmente à tragédia de Moçambique, a Unicef está recolhendo doações únicas e mensais, com valores que são debitados automaticamente da conta corrente ou do cartão de crédito.

O Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas explica que já conta com agentes da própria organização em Moçambique e frisa que está fazendo o possível para distribuir comida às crianças e famílias sobreviventes. Os valores podem ser únicos ou mensais.

Uma equipe de ajuda humanitária da ONU está arrecadando doações de R$ 10 a R$200, que serão destinadas a comida, medicamentos e construção de novos abrigos.

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